22/May/2026
Segundo a StoneX, a possível liberação permanente da gasolina com mistura de 15% de etanol (E15) nos Estados Unidos pode reduzir significativamente o excedente exportável norte-americano e abrir espaço para o Brasil ampliar participação no comércio internacional do biocombustível. O projeto de lei que autoriza a comercialização do E15 durante todo o ano já foi aprovado pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e aguarda apreciação no Senado. Caso seja aprovado e sancionado pelo presidente Donald Trump, a mistura deixará de operar como exceção sazonal e passará a integrar permanentemente o mercado do maior produtor global de etanol. Atualmente, o uso do E15 sofre restrições durante o verão norte-americano devido a normas ambientais ligadas à formação de smog, limitando o consumo em parte do período de maior demanda por combustíveis.
A proposta avança em um cenário marcado pela valorização do petróleo em razão das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelo excesso de oferta de milho nos Estados Unidos após duas safras recordes. Nesse ambiente, o etanol ganha competitividade frente aos combustíveis fósseis, enquanto o setor agrícola norte-americano busca ampliar a absorção doméstica de milho. Segundo o estudo, a ampliação da mistura atende simultaneamente objetivos de segurança energética, estímulo à demanda agrícola e descarbonização. Os Estados Unidos produziram 16,2 bilhões de galões de etanol em 2024, equivalentes a 52% da oferta global estimada em 31,3 bilhões de galões. Cerca de 98% da produção norte-americana utiliza milho como matéria-prima e aproximadamente 90% do volume é consumido internamente. Entre 2007 e 2024, a produção norte-americana cresceu 149%, mas a demanda doméstica se aproxima de um ponto de saturação, ampliando o volume destinado ao mercado externo.
Em 2025, as exportações dos Estados Unidos alcançaram aproximadamente 2,1 bilhões de galões, com destaque para Canadá, Países Baixos, Índia, Reino Unido, Colômbia e Filipinas. A adoção permanente do E15 pode alterar significativamente esse fluxo exportador. Estimativas da National Corn Growers Association apontam que cada aumento de 1% na mistura média nacional gera demanda adicional de 1,36 bilhão de galões de etanol e de 13,2 milhões de toneladas de milho. O potencial exportável norte-americano recuaria 16,6% em 2026 frente a 2025, considerando captura parcial da nova demanda. Em 2027, com incorporação plena do E15, a queda potencial das exportações alcançaria 76,7%, retornando a níveis próximos aos observados em 2010. Nesse contexto, o Brasil tende a se beneficiar da redução da oferta norte-americana no mercado internacional, especialmente diante da expansão global de mandatos de mistura e políticas de transição energética.
Mercados como União Europeia e Índia aparecem como destinos potenciais para o etanol brasileiro, uma vez que já importam volumes relevantes dos Estados Unidos e mantêm políticas voltadas à descarbonização. A consultoria projeta ainda pressão altista sobre os preços globais do etanol a partir do fim de 2026 e ao longo de 2027, em razão da redução da oferta exportável norte-americana. Para o Brasil, maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar, o cenário pode ampliar a remuneração das exportações e estimular investimentos em capacidade produtiva e logística. O milho também tende a ser beneficiado no longo prazo pela maior demanda global associada à expansão da produção de etanol. Porém, a adoção plena do E15 ainda depende de aprovação definitiva no Senado dos Estados Unidos, sanção presidencial e expansão da infraestrutura de distribuição. O avanço da medida também enfrenta resistência de segmentos ligados ao setor de refino norte-americano. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.