22/May/2026
A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que o mercado global de petróleo pode entrar em uma “zona vermelha” entre julho e agosto de 2026, diante da combinação entre aumento sazonal da demanda no verão do Hemisfério Norte, interrupção das exportações do Oriente Médio e redução acelerada dos estoques globais. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz em meio à guerra envolvendo o Irã já retirou mais de 14 milhões de barris por dia (bpd) da oferta mundial, configurando uma das maiores crises energéticas já registradas. O excedente global existente antes do conflito, aliado à liberação coordenada de aproximadamente 400 milhões de barris das reservas estratégicas dos países membros e ao uso de estoques comerciais, ajudou a amortecer o choque inicial sobre os preços e o abastecimento.
Ainda assim, a agência avalia que essas medidas possuem alcance limitado diante da continuidade da crise. Atualmente, a AIE injeta entre 2,5 milhões e 3 milhões de barris por dia adicionais no mercado, no maior uso coordenado de reservas estratégicas da história da entidade. Mesmo assim, o cenário preocupa devido à redução contínua dos estoques justamente no período de maior consumo global de combustíveis. A agência considera que a reabertura plena e incondicional do Estreito de Ormuz é a principal condição para normalização do mercado internacional de petróleo. A recuperação da produção e da capacidade de refino no Oriente Médio tende a ocorrer de forma lenta e desigual.
Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem maior capacidade financeira e tecnológica para acelerar a retomada operacional, enquanto o Iraque aparece como ponto de maior vulnerabilidade. A elevada dependência iraquiana das receitas do petróleo e a limitação da capacidade de armazenamento aumentam os riscos de paralisação prolongada de campos petrolíferos, alguns deles de reativação complexa e custosa. O cenário mantém elevada volatilidade nos mercados globais de energia, com potencial de impactos sobre inflação, custos logísticos, combustíveis, fertilizantes e cadeias agroindustriais dependentes do transporte internacional e de derivados de petróleo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.