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21/May/2026

Açúcar: Índia prioriza etanol e segurança energética

A Czarnikow avaliou que a decisão da Índia de suspender as exportações de açúcar até o fim da safra 2025/26 reforça uma mudança estrutural na política econômica do país, com prioridade crescente para o etanol e para a segurança energética em detrimento da participação indiana no mercado global de açúcar. Há pouco espaço para retomada relevante das exportações indianas de açúcar em 2026/27, diante de estoques domésticos apertados, riscos climáticos e avanço das políticas de expansão do uso de biocombustíveis. A produção de açúcar da Índia em 2025/26 deve ficar abaixo de 28 milhões de toneladas, praticamente em linha com o consumo interno do país. O resultado sucede outra safra deficitária e reduz a margem de segurança dos estoques domésticos. O mercado passou a incorporar riscos adicionais após projeções de ocorrência de El Niño e expectativa de monções abaixo da média em 2026. O departamento meteorológico indiano prevê chuvas 8% inferiores ao normal no próximo período de monções.

Embora os impactos mais severos sobre a produção devam ocorrer apenas em 2027/28, a consultoria avalia que o cenário aumenta a cautela do governo indiano em relação ao abastecimento interno, especialmente em um período sensível para a inflação de alimentos. O governo dificilmente assumirá riscos de desabastecimento às vésperas do período de festivais religiosos e culturais do país, entre agosto e novembro, quando o consumo de açúcar aumenta e os estoques atingem níveis mais baixos antes do início da próxima moagem. A suspensão das exportações vai além de uma reação conjuntural à quebra de safra e sinaliza uma reorientação estratégica da Índia em favor do etanol. Como um dos maiores importadores globais de petróleo e gás natural, o país vem acelerando medidas para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir dependência energética externa em meio às tensões geopolíticas no Golfo Pérsico.

Entre as medidas avaliadas pelo governo indiano estão o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, expansão da frota de veículos flex fuel, utilização de etanol em fogões domésticos e estudos para mistura do biocombustível ao diesel. Esse movimento tende a reduzir estruturalmente a disponibilidade exportável de açúcar da Índia nos próximos ciclos. Os preços domésticos do açúcar permanecem firmes desde fevereiro, próximos de 38 mil rúpias por tonelada em Maharashtra. A desvalorização da rupia melhorou a competitividade das exportações, mas a consultoria avalia que o governo continuará priorizando o abastecimento interno e o programa de etanol. Inicialmente, a Índia havia autorizado exportações de até 2 milhões de toneladas de açúcar em 2025/26. Até meados de abril, aproximadamente 600 mil toneladas haviam sido embarcadas e outras 200 mil toneladas estavam contratadas. Agora, a expectativa da consultoria é de exportações totais limitadas entre 700 mil e 800 mil toneladas no ciclo.

A Czarnikow também considera improvável uma retomada relevante das exportações indianas de açúcar bruto no curto prazo. Mesmo com a desvalorização cambial reduzindo o preço de equilíbrio das exportações, as usinas indianas ainda operariam com perdas estimadas em cerca de 2 centavos de dólar por libra-peso nos embarques de açúcar bruto. Outro fator observado pelo mercado é a disputa econômica entre a produção de açúcar e etanol na safra 2026/27. Os preços atuais do açúcar seguem mais atrativos para as usinas, o que poderá exigir elevação dos preços pagos pelo etanol caso o governo queira acelerar o direcionamento de sacarose para o biocombustível. O desafio é ainda maior no norte da Índia, onde os preços do açúcar permanecem acima dos observados em Maharashtra, elevando o custo necessário para tornar o etanol competitivo frente à fabricação de açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.