ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

21/May/2026

Açúcar: futuros recuam acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em queda na Bolsa de Nova York, interrompendo o movimento de alta registrado na sessão anterior. O contrato julho, referência do mercado, recuou 28 pontos, ou 1,87%, e fechou a 14,73 centavos de dólar por libra-peso. A forte desvalorização do petróleo pressionou o complexo sucroenergético internacional. O petróleo WTI encerrou o dia em queda de 6,51%, cotado a US$ 97,58 por barril, refletindo sinais de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e avanços diplomáticos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A retração da commodity energética reduz a competitividade do etanol hidratado no mercado brasileiro, ampliando a percepção de maior destinação de cana para produção de açúcar.

Além disso, a manutenção dos subsídios federais à gasolina no Brasil reforça o potencial de enfraquecimento da competitividade do biocombustível frente aos combustíveis fósseis. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta produção mundial de 180 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, com déficit global estimado em 262 mil toneladas diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia. Outras consultorias também projetam déficit global para a próxima temporada. A Datagro estima saldo negativo de 3,17 milhões de toneladas, enquanto a StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas. O recuo do índice dólar e as preocupações climáticas de longo prazo limitaram perdas mais intensas nas cotações.

O índice DXY operou em baixa de 0,16%, aos 99,154 pontos, tornando o açúcar mais competitivo para compradores detentores de outras moedas. O suporte aos preços também segue relacionado às restrições de oferta no curto prazo. A Índia mantém suspensas as exportações de açúcar até 30 de setembro, retirando temporariamente o segundo maior produtor global do mercado exportador. No Brasil, o Citigroup projeta produção de açúcar de 39,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 43,95 milhões de toneladas estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também indicam perfil mais alcooleiro no início da safra do Centro-Sul, com apenas 32,9% da cana-de-açúcar destinada à fabricação de açúcar na primeira quinzena de abril.