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21/May/2026

Carros: UE acelera transferência de fábricas à China

A crise da indústria automotiva europeia tem levado montadoras tradicionais a negociar a venda ou transferência de fábricas para grupos chineses em países como Espanha, França, Alemanha e Itália. O movimento envolve empresas como Ford, Nissan e Stellantis e pode ampliar significativamente a presença industrial chinesa no setor automotivo europeu. Segundo informações divulgadas pelo site Carscoops, a estratégia busca evitar o fechamento de plantas industriais diante da desaceleração do setor na Europa, mas também fortalece concorrentes chineses em mercados considerados estratégicos. A Stellantis, controladora de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, está entre os grupos que avaliam ampliar parcerias com fabricantes chinesas. A companhia anunciou que o próximo veículo elétrico da Opel utilizará plataforma da chinesa Leapmotor, enquanto alguns modelos da parceira serão produzidos na unidade de Villaverde, em Madri, na Espanha.

Além disso, a Stellantis avalia transferir a propriedade da planta espanhola para a subsidiária local da joint venture com a Leapmotor. O grupo também analisa a venda de fábricas localizadas na França, Alemanha e Itália para a Dongfeng, parceira histórica da companhia. Outras montadoras seguem estratégia semelhante. A chinesa Chery adquiriu em 2023 uma antiga fábrica da Nissan em Barcelona, na Espanha, com capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano. A Nissan também avalia negociar sua unidade de Sunderland, no Reino Unido, com a própria Chery ou com a Dongfeng. A Ford negocia a transferência de uma linha de montagem em Valência, na Espanha, para a chinesa Geely. A planta poderá produzir veículos híbridos, híbridos plug-in e elétricos utilizando a plataforma Global Intelligent New Energy Architecture.

A Volkswagen também avalia ampliar a integração com parceiros chineses, incluindo a possibilidade de importar ou fabricar na Europa modelos desenvolvidos na China. Analistas do setor avaliam que o avanço das fabricantes chinesas ocorre não apenas por meio das exportações, mas também pela ocupação de estruturas industriais já consolidadas em mercados estratégicos. A avaliação é de que esse movimento pode acelerar a penetração das marcas chinesas no mercado europeu em um momento de pressão sobre custos, eletrificação da frota e necessidade de investimentos elevados. No Brasil, o avanço das montadoras chinesas também ganha força. A Dongfeng já confirmou sua chegada ao País e poderá utilizar estruturas industriais da Nissan no complexo de Resende, no Rio de Janeiro, reforçando a estratégia global de expansão internacional por meio da utilização de ativos industriais existentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.