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20/May/2026

Açúcar: futuros sobem com previsão de mix alcooleiro

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta na Bolsa de Nova York nesta terça-feira (19/05), recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O contrato julho, referência do mercado, avançou 28 pontos, ou 1,90%, e fechou a 15,01 centavos de dólar por libra-peso. O movimento de valorização foi sustentado pela expectativa de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil. O mercado passou a considerar que os novos subsídios anunciados pelo governo brasileiro para reduzir os impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre os preços da gasolina e do diesel podem fortalecer os preços do etanol no mercado doméstico. Nesse ambiente, aumenta a possibilidade de ampliação do mix alcooleiro pelas usinas brasileiras, reduzindo a disponibilidade de cana para a fabricação de açúcar.

Projeções do Citigroup indicam produção brasileira de açúcar em 39,5 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, abaixo das 43,95 milhões de toneladas estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), diante da maior atratividade econômica do etanol em um cenário de combustíveis fósseis elevados. O viés altista também foi sustentado pelas perspectivas de aperto no balanço global de açúcar nos próximos ciclos. A Organização Internacional do Açúcar projeta produção mundial de 180 milhões de toneladas em 2026/27, com déficit global de 262 mil toneladas, refletindo possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as safras da Índia e da Tailândia. Outras consultorias também projetam déficits globais. A Datagro elevou sua estimativa de saldo negativo para 3,17 milhões de toneladas, enquanto a StoneX prevê déficit de 550 mil toneladas.

As preocupações com a oferta global foram ampliadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que afeta cerca de 6% do comércio global de açúcar, segundo a Covrig Analytics, além da manutenção da proibição das exportações da Índia até 30 de setembro. Por outro lado, a valorização do dólar frente a outras moedas limitou ganhos mais intensos do açúcar. O índice DXY avançou 0,34%, para 99,294 pontos, encarecendo a commodity para compradores detentores de outras divisas. O mercado também continuou repercutindo relatório divulgado pela Organização Internacional do Açúcar, que elevou o superávit global do ciclo 2025/26 para 2,2 milhões de toneladas, com produção recorde de 182 milhões de toneladas. No setor energético, o petróleo WTI encerrou em queda de 0,66%, cotado a US$ 103,69 por barril, fator que reduziu parte do suporte às commodities do complexo energético e às soft commodities.