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20/May/2026

Açúcar: superávit global em 2025/2026 e 2026/2027

A consultoria Czarnikow elevou as projeções para o superávit global de açúcar nas safras 2025/26 e 2026/27, mas manteve alerta para os riscos climáticos associados à possível formação de um fenômeno El Niño nos próximos meses. O excedente global de açúcar em 2025/26 foi revisado de 5,8 milhões para 6,8 milhões de toneladas. Para 2026/27, a projeção de superávit passou de 1,1 milhão para 1,4 milhão de toneladas. Apesar da revisão positiva, o balanço global segue relativamente apertado e vulnerável a eventuais perdas de produção causadas por condições climáticas adversas. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) projeta elevada probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto deste ano, com possibilidade de persistência até o fim de 2026. Nesse cenário, a consultoria estima que perdas moderadas de produção, de até 2 milhões de toneladas, poderiam eliminar completamente o excedente previsto para 2026/27 e provocar redução nos estoques globais. Os principais riscos climáticos concentram-se sobre o Centro-Sul do Brasil, além de Índia e Tailândia.

O fenômeno pode comprometer o ritmo de colheita no Brasil e reduzir o desenvolvimento da cana-de-açúcar em países asiáticos caso as chuvas fiquem abaixo da média. O maior impacto potencial do El Niño poderá ocorrer em 2027/28, especialmente devido aos efeitos sobre o regime de monções na Ásia, afetando a soca e o replantio da cana. Em eventos anteriores associados ao fenômeno climático, as perdas globais de produção superaram 5 milhões de toneladas. Para 2025/26, a produção mundial de açúcar foi estimada em 185 milhões de toneladas, configurando a segunda maior safra global já registrada. Para 2026/27, a projeção aponta produção de 180,7 milhões de toneladas. As principais revisões positivas ocorreram na China e na União Europeia. A produção chinesa em 2025/26 foi elevada para 12,7 milhões de toneladas, sustentada por rendimentos acima do esperado. Na União Europeia, a estimativa foi ajustada para 16,6 milhões de toneladas. Para 2026/27, a produção chinesa também foi revisada para cima, passando de 12 milhões para 12,9 milhões de toneladas, refletindo expansão da área cultivada com cana-de-açúcar.

Em sentido oposto, a Czarnikow reduziu a estimativa de produção da Tailândia em 2026/27 para 9,8 milhões de toneladas. A consultoria cita como fatores de pressão as chuvas abaixo da média, o risco de clima mais seco associado ao El Niño, o avanço da doença da folha branca da cana-de-açúcar e as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores diante da queda nos preços da cana-de-açúcar e da elevação dos custos de produção. No consumo, o crescimento global da demanda permanece limitado por fatores estruturais, como maior conscientização sobre o consumo de açúcar, inflação elevada dos alimentos nos últimos anos e avanço do uso de medicamentos para emagrecimento. Mesmo assim, a consultoria projeta que 2026/27 apresente o maior crescimento anual da demanda desde 2022, com consumo global estimado em 179,4 milhões de toneladas. Preços mais baixos do açúcar e dos alimentos em geral poderão estimular parcialmente a recuperação do consumo mundial nos próximos ciclos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.