19/May/2026
O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco no mercado de São Paulo segue em baixa, em meio à fraca liquidez. O Indicador tem média de R$ 95,94 por saca de 50 Kg, recuo de 1,58% nos últimos sete dias (R$ 97,48 por saca de 50 Kg). De modo geral, o mercado spot opera em ritmo reduzido, com agentes descrevendo o cenário como “parado” e com negócios limitados. A menor liquidez no mercado spot é comum em início de safra, com compradores cumprindo contratos previamente firmados, enquanto vendedores se ajustam ao novo ciclo produtivo. As negociações vêm se concentrando no produto de coloração mais escura (menor qualidade), enquanto a oferta do açúcar de melhor qualidade continua restrita. As usinas vêm resistindo em aceitar preços mais baixos, o que explica a baixa liquidez.
Uma recuperação mais consistente das cotações internas vai depender de sinais externos, sobretudo da valorização mais firme do contrato nº 11 negociado na Bolsa de Nova York. No cenário internacional, os preços do açúcar demerara ganharam força diante dos patamares elevados dos preços da energia. Até o dia 15 de maio, o petróleo Brent era negociado acima de US$ 109,00 por barril. O encarecimento da energia tende a favorecer a destinação da cana-de-açúcar no Brasil para a produção do biocombustível, reduzindo as expectativas de oferta de açúcar. Estimativas da consultoria Datagro projetam déficit global de açúcar de 3,17 milhões de toneladas na temporada 2026/27. A StoneX estima déficit de 550 mil toneladas.
O Citigroup, por sua vez, prevê que a produção brasileira de açúcar alcance apenas 39,5 milhões de toneladas, considerando possíveis adversidades climáticas e o maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol, conforme apontado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). Dados da entidade mostram que o mix açucareiro atingiu apenas 32,9% na primeira quinzena de abril de 2026. Esse quadro pode ser revertido, no entanto, se o governo brasileiro efetivar medidas para conter os preços dos combustíveis fósseis, reduzindo a competitividade dos biocombustíveis. Caso isso aconteça, a produção brasileira de açúcar tende a aumentar, e as cotações podem ceder. Outro fator que pode pressionar os valores no mercado internacional é a desvalorização do Real frente ao dólar.
A decisão do governo indiano de proibir as exportações de açúcar por quatro meses, até setembro de 2026, pode ter um efeito altista no mercado internacional, uma vez que o segundo maior produtor mundial deixará de ofertar volumes ao mercado externo no curto prazo. O contrato Julho/26 do demerara negociado na Bolsa de Nova York está cotado a 14,80 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,75% ante o dia 15 de maio. Nos últimos sete dias, o contrato Julho/26 registra média de 15,02 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,52%. Em São Paulo, no atacado, o Indicador de Cristal Empacotado está cotado a R$ 12,57 por saca de 5 Kg, queda de 0,73% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,86 por saca de 1 Kg, recuo de 0,12% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.