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18/May/2026

Açúcar: futuros recuam com dólar forte ante Real

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em desvalorização na sexta-feira (15/05) na Bolsa de Nova York, estendendo o recuo da sessão anterior sob pressão do cenário cambial. O vencimento julho, referência atual do mercado, desceu 19 pontos (1,27%), e fechou a 14,80 centavos de dólar por libra-peso. O câmbio ditou o ritmo das negociações. O índice dólar (DXY) avançou 0,33%, operando a 99,195 pontos, o que estimulou a liquidação de posições compradas pelos fundos. Paralelamente, o Real brasileiro recuou para a mínima de cinco semanas frente à divisa norte-americana. Segundo a Barchart, essa desvalorização da moeda brasileira aumenta a competitividade do produto nacional e incentiva as usinas a fixarem vendas para exportação, elevando a oferta disponível.

Além disso, o mercado seguiu reagindo ao anúncio do subsídio à gasolina no Brasil, medida que pode reduzir a competitividade do biocombustível e induzir um mix mais açucareiro. Contudo, a visão da indústria traz contrapontos. A Copersucar observou que a rentabilidade relativa entre açúcar e etanol continuará sendo o vetor central para a definição da moagem. As usinas ainda tendem a priorizar o etanol devido à melhor remuneração no mercado doméstico em comparação à deterioração recente das cotações internacionais do açúcar. O vigor do petróleo e o balanço global restrito evitaram um recuo mais profundo. O petróleo WTI fechou em forte alta de 3,67%, cotado a US$ 104,88 por barril, o que ajuda a sustentar a paridade energética.

No front internacional, a decisão da Índia de proibir as exportações de açúcar por quatro meses, até 30 de setembro, segue como um importante fator de suporte à medida que retira o segundo maior produtor mundial do mercado de curto prazo. Reforçando o viés altista de longo prazo, a consultoria Datagro revisou sua projeção de déficit global para o ciclo 2026/27 para 3,17 milhões de toneladas, enquanto a StoneX prevê um saldo negativo de 550 mil toneladas. O Citigroup também mantém uma postura conservadora, estimando a safra brasileira em apenas 39,5 milhões de toneladas, citando riscos climáticos e o desvio de cana observado nos dados da Unica, que mostraram um mix de apenas 32,9% para o açúcar na primeira quinzena de abril.