ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

13/May/2026

Açúcar: déficit global e petróleo elevam os futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (12/05) em alta na Bolsa de Nova York, sustentados pelas novas projeções de déficit global para a safra 2026/27, pela valorização do petróleo e pelas preocupações com a oferta internacional da commodity. O contrato julho, referência atual do mercado, avançou 10 pontos, alta de 0,67%, e fechou a 15,01 centavos de dólar por libra-peso, retomando o patamar dos 15,00 centavos de dólar por libra-peso após sessões de maior volatilidade. O movimento de valorização foi impulsionado principalmente pelas revisões nas estimativas globais de produção de açúcar. A StoneX projetou déficit mundial de 550 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo o superávit estimado em 2,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.

O mercado também repercutiu projeções mais conservadoras para a produção brasileira. O Citigroup estima produção de 39,5 milhões de toneladas de açúcar no Brasil no próximo ciclo, volume inferior às 43,95 milhões de toneladas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A valorização do petróleo no mercado internacional também reforçou o suporte às cotações do açúcar. Durante o pregão, o petróleo WTI operou com alta superior a 3%, elevando a competitividade do etanol frente ao açúcar e incentivando maior direcionamento do mix industrial das usinas para a produção do biocombustível. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) reforçaram o cenário de menor oferta.

Na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 11,95%, enquanto apenas 32,9% da cana-de-açúcar processada foi destinada à fabricação do açúcar. O mercado também segue atento aos riscos climáticos globais. O Citigroup avalia que um eventual fortalecimento do fenômeno El Niño pode comprometer a produção de importantes exportadores asiáticos, como Índia e Tailândia, ao longo dos próximos seis a 12 meses. No ambiente logístico, persistem preocupações com os impactos das restrições no Estreito de Ormuz sobre o comércio internacional da commodity. Segundo análises de mercado, cerca de 6% do fluxo global de açúcar permanece potencialmente afetado pelas limitações na região. Apesar do avanço das cotações, o fortalecimento do dólar frente a outras moedas limitou ganhos mais expressivos.

A valorização da moeda norte-americana tende a reduzir a competitividade das commodities cotadas em dólar para importadores internacionais. Além disso, o mercado monitora o potencial exportador da Índia. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta superávit de 2,5 milhões de toneladas de açúcar para a safra 2026/27 no país asiático, cenário que pode ampliar a disponibilidade global da commodity nos próximos meses. O ambiente internacional segue marcado pela combinação entre oferta global mais ajustada, riscos climáticos relevantes, fortalecimento do petróleo e elevada volatilidade geopolítica, fatores que sustentam a recuperação recente das cotações do açúcar no mercado internacional.