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12/May/2026

Açúcar: futuros em alta acompanhando petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (11/05), ampliando o movimento de recuperação iniciado no fim da semana anterior. O contrato com vencimento em julho, referência do mercado, avançou 22 pontos, ou 1,50%, e fechou a 14,91 centavos de dólar por libra-peso. O principal fator de sustentação das cotações foi o avanço do petróleo no mercado internacional. O WTI registrava valorização de 3,61%, cotado a US$ 98,86 por barril. O fortalecimento da commodity energética melhora a competitividade do etanol e amplia a possibilidade de maior direcionamento de cana para a produção do biocombustível no Brasil.

Nesse contexto, o Citigroup revisou para baixo sua projeção para a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27, estimando 39,5 milhões de toneladas, abaixo das 43,95 milhões de toneladas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A instituição considera que a valorização dos combustíveis tende a favorecer um mix mais alcooleiro nas usinas do Centro-Sul. As preocupações climáticas globais também deram suporte ao mercado. O Citigroup avalia que um possível evento forte de El Niño pode comprometer a produção de açúcar na Índia e na Tailândia nos próximos 6 a 12 meses. No Brasil, dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram retração de 11,95% na produção de açúcar do Centro-Sul na primeira quinzena de abril, com mix açucareiro de apenas 32,9%. A consultoria Green Pool Commodity Specialists mantém projeção de déficit global de 4,30 milhões de toneladas de açúcar no ciclo 2026/27, reforçando a percepção de oferta mais ajustada no mercado internacional.

Por outro lado, fatores de resistência limitaram ganhos mais intensos das cotações. O índice dólar (DXY) operava em leve alta, encarecendo o produto para importadores. Além disso, a Covrig Analytics apontou que a recente queda dos preços da gasolina voltou a melhorar a rentabilidade relativa da produção de açúcar, que estaria até 1 centavo de dólar por libra-peso mais atrativa do que a do etanol, o que pode reduzir a migração excessiva do mix para o biocombustível. Na Ásia, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta superávit de 2,5 milhões de toneladas de açúcar na Índia em 2026/27, fator que tende a limitar movimentos mais expressivos de valorização no longo prazo.