ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

12/May/2026

Açúcar: mercado monitora mix e clima em 2026/27

Segundo o Itaú BBA, o mercado global de açúcar segue atento ao comportamento do mix de produção no Brasil e aos riscos climáticos globais para a safra 2026/27, em um ambiente marcado pela expectativa de recuperação da oferta brasileira e pelas incertezas relacionadas ao avanço do fenômeno El Niño. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção brasileira de 709,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2026/27, crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior. O avanço é sustentado pela recuperação da produtividade agrícola e pela ampliação da área colhida. A produtividade média estimada é de 77,75 toneladas por hectare, alta de 3,4% na comparação anual. Porém, o clima passou a exercer papel relevante nas projeções para a safra. A maior disponibilidade hídrica tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais, mas o excesso de chuvas pode gerar dificuldades operacionais nas regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil.

Na Região Nordeste, o impacto climático pode ser oposto, elevando o risco de condições mais secas e comprometendo o desempenho agrícola regional. O avanço do El Niño adiciona incertezas relevantes ao mercado global, especialmente em importantes produtores asiáticos, como Índia e Tailândia. Apesar da oferta global ainda considerada confortável após resultados positivos das últimas safras asiáticas, o mercado permanece em alerta para possíveis impactos climáticos sobre a produção mundial. Nesse contexto, o Brasil continua desempenhando papel central no equilíbrio global da commodity, com destaque para o comportamento do mix entre açúcar e etanol e para as condições climáticas ao longo do segundo semestre. Em abril, os contratos de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York acumularam queda de 6%, devolvendo os ganhos registrados em março. O Itaú BBA atribui o movimento ao aumento da percepção de superávit global, sustentado pelo desempenho acima do esperado das safras na China e na Tailândia, que compensaram parcialmente as perdas observadas na Índia.

No Brasil, a indefinição sobre o direcionamento da produção entre açúcar e etanol também contribuiu para o ambiente de cautela. A forte queda dos preços do etanol hidratado ao longo do mês, associada à elevada oferta do biocombustível, ampliou as incertezas em relação ao mix produtivo no início da safra. Além dos fundamentos de mercado, os preços também sofreram pressão técnica com o aumento das posições vendidas por fundos especulativos. Os fundos ampliaram as posições vendidas de 50 mil contratos em 30 de março para 114 mil contratos em 5 de maio. O mercado segue sem direção definida no curto prazo. Mesmo com os riscos climáticos e geopolíticos no radar, o ambiente permanece defensivo e dependente de novos catalisadores relacionados à oferta global e à política energética para alterar o viés predominantemente negativo das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.