12/May/2026
O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% tende a gerar suporte de curto prazo aos preços dos biocombustíveis no Brasil, com impacto positivo esperado sobre a remuneração dos produtores, embora sem eliminar o risco estrutural de sobreoferta no médio prazo. A elevação da mistura deve adicionar aproximadamente 1 bilhão de litros à demanda anual de etanol, contribuindo para sustentação dos preços no curto prazo. Ainda assim, o cenário estrutural do setor segue pressionado pela expansão da capacidade produtiva e pela maior participação do etanol de milho na matriz, o que tende a manter desequilíbrios entre oferta e demanda ao longo dos próximos anos.
As projeções indicam expansão de mais de 10,5 bilhões de litros na capacidade adicional de produção até 2034, sustentada por novos projetos de usinas e ampliações de unidades existentes. Com isso, a produção total de etanol no Brasil pode avançar de 37,5 bilhões de litros em 2025 para 48 bilhões de litros em 2034, crescimento de cerca de 30%. Nesse cenário, o etanol de milho deve ampliar significativamente sua participação, passando de 27% atualmente e menos de 5% em 2020 para cerca de 44% da produção total até 2034. O movimento reflete a expansão de investimentos no segmento, mas também eleva a exposição do setor a custos de insumos e volatilidade de matérias-primas.
O ciclo de investimentos necessário para suportar essa expansão é estimado em aproximadamente R$ 37 bilhões. Ao mesmo tempo, há pressão potencial sobre custos de biomassa e milho, o que pode afetar a rentabilidade das usinas, especialmente considerando a relevância do DDG como componente de geração de receita e margens. No mercado de preços, o etanol anidro apresenta resiliência, com média estimada de R$ 3,20 por litro entre 2025 e 2026, acima dos R$ 2,70 por litro observados em 2023 e 2024. Ainda assim, a dinâmica de consumo permanece fortemente vinculada à paridade com a gasolina, já que a competitividade do etanol depende de relação próxima a 70% do preço do combustível fóssil.
No médio e longo prazo, eventuais elevações adicionais da mistura obrigatória, como para 35%, além da expansão do uso de etanol em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e no setor marítimo, podem contribuir para maior equilíbrio do mercado, embora sem impacto relevante sobre a demanda no curto prazo. O setor também permanece exposto a riscos adicionais de rentabilidade em 2027, incluindo eventuais adversidades climáticas, gargalos na cadeia de suprimentos e aumento dos custos de diesel e fertilizantes, fatores que podem pressionar margens operacionais e fluxo de caixa das usinas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.