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11/May/2026

Açúcar: futuros em alta com dólar fraco ante Real

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta na Bolsa de Nova York na sexta-feira (08/05), recuperando parte das perdas observadas na sessão anterior. O vencimento julho, atualmente referência do mercado, avançou 15 pontos, ou 1,03%, e fechou a 14,69 centavos de dólar por libra-peso. O principal fator de sustentação das cotações foi a valorização do Real frente ao dólar, movimento que estimulou recomposição de posições vendidas no mercado futuro. A valorização do Real reduz a atratividade das exportações brasileiras ao diminuir o retorno financeiro das usinas na conversão da moeda norte-americana, restringindo a oferta disponível no mercado internacional e dando suporte às cotações do açúcar.

Os fundamentos globais de oferta também seguem oferecendo sustentação ao mercado. A consultoria Green Pool Commodity Specialists mantém projeção de déficit global de 4,30 milhões de toneladas para a safra 2026/27, cenário associado à mudança estrutural do setor sucroenergético em direção à maior produção de etanol. No Brasil, dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) reforçam esse quadro. Na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 11,95%, enquanto o mix destinado ao adoçante caiu para 32,9%, ante 44,7% no mesmo período do ano anterior.

Além disso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetam redução de até 3% na oferta brasileira de açúcar no novo ciclo, reflexo da maior destinação de cana para a produção de biocombustíveis. Por outro lado, a menor competitividade do etanol frente ao açúcar limitou ganhos mais expressivos nas bolsas. Apesar da alta do petróleo WTI, negociado próximo de US$ 95,00 por barril, os preços da gasolina acumulam queda superior a 8% nos últimos três pregões, após o alívio das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Segundo a Covrig Analytics, esse movimento tornou a produção de açúcar entre 0,7 centavo e 1 centavo de dólar por libra-peso mais rentável que a fabricação de etanol para as usinas brasileiras, fator que pode estimular um mix mais açucareiro nas próximas quinzenas.