ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

08/May/2026

Açúcar: futuros em baixa acompanhando petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em desvalorização nesta quinta-feira (07/05) na Bolsa de Nova York, estendendo o recuo da sessão anterior e atingindo as mínimas de uma semana. O vencimento julho, referência atual do mercado, recuou 27 pontos (1,82%), e fechou a 14,54 centavos de dólar por libra-peso. O recuo do setor energético pressionou o complexo sucroenergético. O petróleo WTI foi negociado em queda durante a maior parte da sessão após o Irã afirmar que o Estreito de Ormuz está liberado para travessia segura, sinalizando um acordo com os Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio. Esse alívio geopolítico resultou em uma queda acumulada de mais de 8% na gasolina nos últimos três pregões, o que reduz drasticamente a competitividade do etanol.

Segundo a Covrig Analytics, a desvalorização dos combustíveis torna a produção de açúcar até 1,00 centavo de dólar por libra-peso mais rentável para as usinas brasileiras, indicando um potencial aumento na oferta do adoçante em detrimento do biocombustível. No front dos fundamentos, o mercado digeriu projeções conflitantes para o ciclo 2026/27 no Centro-Sul. O Citi projetou uma recuperação da moagem para 640 milhões de toneladas (+5%), mas previu um mix açucareiro menor, de 48%, devido à implementação do E32. A ED&F Man estimou a moagem em 626 milhões de toneladas com mix de 47,2%, resultando em 38,9 milhões de toneladas de açúcar.

Na Ásia, o sentimento é de conforto: o USDA prevê superavit de 2,5 milhões de toneladas na Índia, enquanto a ED&F Man destaca que a China e a Tailândia devem registrar produções recordes ou acima das expectativas, mantendo o balanço global de 2025/26 em um "superavit confortável". Apesar da forte pressão negativa, o cenário de longo prazo ofereceu suporte técnico e evitou um recuo ainda mais acentuado. A consultoria Green Pool Commodity Specialists manteve sua estimativa de déficit global de 4,3 milhões de toneladas para o ciclo 2026/27, sustentada pelo avanço estrutural do etanol sobre o açúcar. Além disso, dados da Unica de abril mostraram que o mix açucareiro inicial foi de apenas 32,9%, contra 44,7% no ano anterior, o que limita a disponibilidade imediata do produto e freia perdas maiores nas cotações.