07/May/2026
O mercado futuro de açúcar registrou queda expressiva na sessão desta quarta-feira (06/05), pressionado principalmente pela desvalorização do petróleo no mercado internacional. Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em julho recuou 3,64% (56 pontos), e fechou a 14,81 centavos de dólar por libra-peso. A retração foi influenciada pelo movimento de baixa nos preços da energia, em meio a sinais de alívio geopolítico envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã para garantir o tráfego no Estreito de Ormuz. O petróleo WTI chegou a operar a US$ 95,58 por barril, com queda de 6,52%, enquanto a gasolina também apresentou recuo próximo de 4%.
Esse cenário altera a dinâmica do setor sucroenergético, ao reduzir a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis. Com isso, há incentivo para maior direcionamento da produção de cana-de-açúcar para o açúcar, aumentando a oferta global do açúcar no curto prazo. Além do fator energético, o mercado também reagiu às perspectivas de maior oferta na Ásia. A Índia deve registrar superávit de 2,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, o primeiro em dois anos, com produção acumulada até o fim de abril em 27,53 milhões de toneladas, avanço de 7% na comparação anual.
A pressão vendedora também é reforçada por estratégias de hedge adotadas por usinas em momentos de preços mais elevados, ampliando a oferta no mercado futuro. Apesar da queda, fatores estruturais ainda oferecem suporte às cotações. A estimativa de déficit global foi elevada para 4,30 milhões de toneladas na safra 2026/27, refletindo o crescimento da demanda por etanol. No Brasil, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 11,9% na primeira quinzena de abril, enquanto o mix açucareiro recuou para 32,9%, ante 44,7% no mesmo período do ano anterior. A política de combustíveis também segue no radar, com a adoção de misturas mais elevadas de etanol podendo limitar a disponibilidade de açúcar para exportação no médio prazo.