06/May/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta na Bolsa de Nova York nesta terça-feira (05/05), sustentados pela perspectiva de menor oferta global e pelo direcionamento mais alcooleiro da produção no Brasil. O contrato julho, referência do mercado, avançou 8 pontos, ou 0,52%, e fechou a 15,37 centavos de dólar por libra-peso, consolidando o maior nível em um mês e estendendo o movimento de valorização observado nas últimas duas semanas. O suporte às cotações foi reforçado pela revisão no balanço global.
A consultoria Green Pool Commodity Specialists elevou a estimativa de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 de 1,66 milhão para 4,30 milhões de toneladas, indicando aperto mais significativo na oferta. O ajuste reflete, principalmente, a mudança estrutural no mix produtivo, com maior direcionamento da cana-de-açúcar para etanol. Dados da Unica indicam que, na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o mix açucareiro caiu de 44,7% para 32,9%.
Esse movimento está associado ao aumento da competitividade do etanol, impulsionado pelos preços elevados da gasolina no mercado internacional e pela adoção da mistura E32 no Brasil, fatores que incentivam as usinas a priorizarem o biocombustível. Por outro lado, fatores externos limitaram ganhos mais expressivos. O petróleo WTI recuou 4,34%, para US$ 101,80 por barril, reduzindo parte do suporte indireto às commodities energéticas e, consequentemente, ao açúcar. No cenário de oferta global, a Índia também atua como elemento de contenção, com projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de superávit de 2,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, o primeiro em dois anos.
A produção indiana acumulada até 30 de abril somou 27,53 milhões de toneladas, avanço de 7% na comparação anual, ampliando a disponibilidade no mercado internacional. Além disso, o comportamento das usinas brasileiras segue influenciando a dinâmica de preços, com intensificação de operações de hedge em momentos de valorização, o que adiciona pressão vendedora e limita movimentos mais acentuados de alta. O cenário combina restrição de oferta no Brasil, em função do mix mais alcooleiro, com fatores compensatórios no mercado internacional, resultando em um equilíbrio mais ajustado e maior sensibilidade das cotações a variações nos mercados de energia e nas decisões de produção.