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06/May/2026

Etanol: E32 sozinho não resolve excesso de oferta

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), que será analisado na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) prevista para o dia 11 de maio, deve ampliar a demanda e dar suporte pontual aos preços do biocombustível. Mas não resolve o desequilíbrio de um mercado marcado por forte expansão da oferta na recém-iniciada safra 2026/27. Sem reação do consumo, o ajuste deve continuar travado. Mesmo com o anúncio da intenção de adoção do E32 em 24 de abril, os preços continuaram em queda e o consumo ainda não respondeu. O Indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado em São Paulo recuou 5,52% nos últimos sete dias, para R$ 2,3158 por litro. Nos postos, o biocombustível equivalia a 68,37% do preço da gasolina na média nacional entre 26 de abril e 2 de maio, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O nível ainda limita a migração do consumidor. O pano de fundo é a oferta crescente.

Projeções do mercado apontam aumento de cerca de 4 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O início do ciclo confirma essa tendência. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a moagem no Centro-Sul somou 19,56 milhões de toneladas na primeira quinzena de abril, alta de 19,67% na comparação anual. O mix já veio mais alcooleiro: apenas 32,93% da cana foi destinada ao açúcar. A produção de etanol avançou 33,32%, para 1,23 bilhão de litros. Foram 879,87 milhões de litros de hidratado e 350,20 milhões de anidro. Mas as vendas não acompanharam. Na primeira quinzena de abril, a comercialização total caiu 8,0%, para 1,28 bilhão de litros, ante 1,39 bilhão em igual período do ciclo anterior. No mercado interno, a retração foi de 8,5%, para 1,25 bilhão de litros. Já as exportações cresceram 18,0%, para 28,9 milhões de litros, mas seguem com peso reduzido. Ou seja, há oferta, mas falta demanda.

Nesse contexto, o E32 atua mais como amortecedor do excesso do que como gatilho de alta. Para o Rabobank, a medida altera a composição, mas não muda a lógica do mercado. O E32 reduz a disponibilidade de hidratado, porque mais etanol vai para o anidro. E é no hidratado que o preço se forma. Ainda assim, o ajuste depende do consumo. O mercado tem de zerar de alguma forma, equilibrando oferta e demanda. E isso acontece via preço. Na prática, o setor ainda precisa encontrar um nível de desconto na bomba que destrave a demanda. Com E32, esse ponto de equilíbrio fica próximo de 63% do preço da gasolina, ante cerca de 62% no cenário atual, prévio à elevação da mistura. A medida ajuda um pouco no preço, mas não é uma mudança estrutural. A principal contribuição do E32 é criar demanda obrigatória. A Hedgepoint Global Markets estima aumento de cerca de 1 bilhão de litros por ano no consumo de anidro. Isso tende a sustentar o preço do anidro. O efeito, porém, é desigual. O anidro sobe por demanda. Mas isso limita a alta do hidratado, porque ajuda a segurar o preço da gasolina.

Executivos do setor reforçam a expansão, mas sem ruptura. Serão pelo menos mais 1 bilhão de litros de demanda, diz a NovaBio. Mas, é preciso sincronizar oferta e consumo. No curto prazo, o principal entrave continua sendo o repasse ao consumidor. A queda nas usinas ainda não chegou à bomba. Sem isso, a demanda não reage. O preço do hidratado despenca e nada acontece na bomba. Sem isso, o consumo não reage. A expectativa é de repasse nas próximas semanas, com a reposição de estoques pelas distribuidoras. Só então o etanol tende a ganhar competitividade. O E32 também reduz a necessidade de importação de gasolina, estimada pelo governo em até 500 milhões de litros por mês. A medida tem viés macroeconômico. É uma forma de evitar o repasse da alta da gasolina ao consumidor. O reequilíbrio deve vir ao longo da safra, a depender do preço e principalmente do aumento do consumo. Até lá, o mercado segue pressionado por um volume elevado que o E32, sozinho, não resolve. Sem consumo, não há ajuste. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.