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05/May/2026

Açúcar: futuros em alta com mix mais alcooleiro

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (04/05) em alta na Bolsa de Nova York, alcançando o maior nível em um mês e estendendo o movimento de recuperação. O contrato julho, referência do mercado, avançou 34 pontos (2,27%), e fechou a 15,29 centavos de dólar por libra-peso. O principal vetor de sustentação dos preços foi o mercado de energia. A valorização de cerca de 3% nos preços da gasolina elevou a competitividade do etanol, incentivando usinas a priorizarem a produção de biocombustível em detrimento do açúcar. Esse movimento levou à revisão das estimativas globais, com ajuste do déficit projetado para o ciclo 2026/27 de 1,66 milhão para 4,30 milhões de toneladas, refletindo mudança estrutural no direcionamento do mix produtivo. No Brasil, dados do Centro-Sul reforçam o cenário de restrição de oferta.

Na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar recuou 11,9%, totalizando 647 mil toneladas. A destinação da cana ao açúcar caiu para 32,9%, ante 44,7% no mesmo período do ciclo anterior, evidenciando maior direcionamento ao etanol. A competitividade do biocombustível, combinada à implementação da mistura E32, tende a reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado internacional. Projeções indicam recuo de até 3% na oferta brasileira no novo ciclo, ampliando o aperto global. Por outro lado, fatores externos limitaram ganhos mais expressivos. A valorização do dólar, com o índice em 98,336 pontos (+0,13%), encarece a commodity para importadores. Além disso, a perspectiva de superávit na Índia atua como elemento de contenção. A produção indiana acumulada até 30 de abril alcançou 27,53 milhões de toneladas, avanço de 7% na comparação anual, com expectativa de superávit de 2,5 milhões de toneladas em 2026/27, o primeiro em dois anos.