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05/May/2026

Etanol: média de abril é a menor desde junho/2024

A média de preços do etanol hidratado (Indicador CEPEA/ESALQ) em abril (primeiro mês oficial da safra 2026/27) é a menor desde junho de 2024, em termos reais. A pressão vem do aumento da oferta neste período, devido ao avanço da moagem, cenário que, neste ano, foi reforçado pelo baixo volume de chuvas, o que favorece o ritmo das atividades. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado teve média de R$ 2,5688 por litro em abril, recuo de 12,3% no mesmo comparativo do período anterior, e o mais baixo desde a média observada em junho de 2024, de R$ 2,5428 por litro (médias mensais deflacionadas pelo IGP-M de abril de 2026). No caso do etanol anidro (modalidade spot e contratos), a média foi de R$ 3,0484 por litro no mês passado, queda de 7,16% frente à de março. Ao longo do mês, a quantidade vendida pelas usinas foi pontual e envolveu volumes pequenos. De modo geral, distribuidoras estiveram bem ausentes das compras.

Ainda assim, o total de etanol hidratado comercializado pelas usinas de São Paulo cresceu 75,1% no comparativo mensal e 24,8% em relação a abril do ano anterior. O cenário de incerteza segue em evidência no setor sucroenergético. Os preços mais baixos do etanol e do açúcar colocam em alerta o desempenho da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil. O aumento esperado da oferta de etanol é um dos grandes fatores que pode pressionar as cotações. Além disso, o preço do açúcar demerara no mercado externo na Bolsa de Nova York é outro fator que pode gerar uma situação ainda mais delicada para os produtores, visto que existe a expectativa de superávit mundial, limitando os movimentos de alta diante de sinais de demanda global mais fraca. Nas usinas de Goiás, por exemplo, além do aumento da oferta de etanol na Região Nordeste do País, com a instalação de novas plantas, o valor de frete envolvido nas transferências pode ser outro ponto desfavorável a produtores.

Agentes acreditam que isso deixaria o etanol de Goiás menos competitivo com o da Região Nordeste e poderia reduzir as transferências e o share. A última semana de abril se encerrou com preços em forte queda, com alguns vendedores participando com mais intensidade das negociações. O período de folha de pagamento das usinas também pesou em alguns casos. Em outras situações, os vendedores tentaram acelerar as vendas, temendo novos recuos. Do lado das distribuidoras, alguns volumes maiores foram negociados, mas a preços mais flexibilizados em oportunidades de negócios. Em outros casos, as retiradas de produto até chegaram a ser mais rápidas. Nos últimos dias da semana passada, os preços registraram quedas menos significativas, mas, ainda assim, os recuos prevaleceram. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado para o estado de São Paulo tem média de R$ 2,3158 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), recuo de 5,52% nos últimos sete dias.

Quanto ao etanol anidro, a rodada de negociações para atender à Resolução 67 da ANP atingiu outro patamar, com alguns avanços nos volumes a serem contratados para a safra 2026/27. Assim, agentes do mercado acreditam na volta dos negócios no mercado spot nas próximas semanas, o que elevaria a liquidez. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ está cotado a R$ 2,6956 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), retração de 5,57% nos últimos sete dias. Em São Paulo, nos últimos sete dias, o açúcar cristal está 26,4% acima do etanol hidratado e 13,3% acima do verificado para o anidro. Entre os dois etanóis, o preço do anidro é 11,5% superior ao do hidratado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.