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28/Apr/2026

Cana: contrato de financiamento entre CTC-BNDES

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) assinou contrato de financiamento na modalidade Cédula de Crédito Bancário no montante de R$ 83,96 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O prazo total do contrato é de 12 anos com carência de 24 meses para amortização do principal. Os recursos serão aplicados em três iniciativas do CTC: a planta demonstrativa do projeto de sementes sintéticas, a biotecnologia voltada ao aumento da produtividade e o desenvolvimento de variedades resistentes a pragas. A parceria, realizada por meio do programa BNDES Mais Inovação, busca fomentar avanços tecnológicos com impacto direto na produtividade e sustentabilidade. As iniciativas irão auxiliar a companhia a alcançar o objetivo de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros até o fim da próxima década, trazendo maior sustentabilidade e competitividade para o setor sucroenergético.

As iniciativas têm foco no desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar e em uma nova variedade resistente a pragas. O pacote total de investimentos soma R$ 165,54 milhões, incluindo recursos da Finep e aportes próprios da empresa. Do montante total, R$ 72,9 milhões virão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), enquanto R$ 8,68 milhões serão investidos pelo próprio CTC. Os recursos do BNDES serão liberados por meio da linha BNDES Mais Inovação e poderão ser destinados a obras, aquisição de equipamentos e atividades de pesquisa e desenvolvimento. Os projetos estão alinhados à estratégia de ampliar a produtividade agrícola e reduzir emissões. São iniciativas que contribuem para a redução significativa dos custos operacionais, do uso de defensivos químicos e fertilizantes e das emissões de gás carbônico. O principal foco dos investimentos é o avanço da tecnologia de sementes sintéticas, considerada uma das apostas para dobrar a produtividade da cana-de-açúcar no Brasil até 2040.

Em estágio avançado de desenvolvimento, a inovação busca substituir o plantio convencional, que exige mais de 16 toneladas de colmos por hectare, por um sistema semelhante ao utilizado em culturas como milho e soja. Com a nova tecnologia, a expectativa é reduzir esse volume para cerca de 400 quilos de sementes por hectare, diminuindo o uso de máquinas pesadas, o consumo de combustível e os impactos sobre o solo. Além disso, o modelo elimina a necessidade de viveiros e pode acelerar a renovação dos canaviais, mantendo-os em estágios mais produtivos. As sementes sintéticas são produzidas em laboratório, a partir de material biológico capaz de regenerar uma planta completa, envolto em uma estrutura que permite armazenamento, transporte e plantio mecanizado. O processo também garante mudas livres de doenças. Parte dos recursos são à construção de uma planta-piloto em Piracicaba (SP), com capacidade para produzir sementes suficientes para até 500 hectares por ano.

O uso da semente sintética será uma disrupção na forma como plantar a cana-de-açúcar, trazendo aumento de produtividade e de margens agroindustriais, além da redução de emissões. Outro projeto financiado envolve o aprimoramento da tecnologia, com foco na taxa de germinação, na durabilidade das sementes e na ampliação do alcance logístico. O objetivo é viabilizar o armazenamento por períodos mais longos e atender produtores em regiões mais distantes. A terceira frente apoiada pelo BNDES trata do desenvolvimento de uma variedade de cana-de-açúcar resistente ao besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana. A praga é uma das mais relevantes do setor, com ocorrência em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, podendo levar à morte das plantas e dificultando o controle nas lavouras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.