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28/Apr/2026

Biometano avança como alternativa no transporte

O avanço do biometano como alternativa energética no transporte público urbano ganha relevância no Brasil diante das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e da necessidade de diversificação da matriz de combustíveis. O movimento envolve fabricantes, encarroçadoras, operadoras de transporte e administrações municipais na busca por soluções mais sustentáveis e adaptadas às condições operacionais locais. O País possui uma frota de aproximadamente 107 mil ônibus urbanos, majoritariamente movidos a diesel, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). O Plano Clima 2024-2035 estabelece que, até 2035, ao menos 35% dessa frota deverá ser composta por veículos movidos a energias renováveis, o equivalente a cerca de 37 mil unidades. Apesar do avanço da eletrificação, que demanda investimentos elevados tanto na aquisição de veículos quanto na infraestrutura de recarga, alternativas complementares têm sido adotadas.

Entre elas, o biometano se destaca por ser produzido a partir da purificação do biogás gerado na decomposição de resíduos orgânicos, esgoto e atividades agropecuárias, permitindo redução de emissões sem necessidade de mudanças estruturais imediatas em larga escala. A estratégia predominante no setor aponta para a coexistência de diferentes tecnologias, com adoção conforme as características regionais e operacionais dos sistemas de transporte. Esse modelo busca otimizar custos de transição e ampliar a eficiência ambiental das frotas. Na prática, iniciativas já estão em operação. Em Goiânia (GO), oito ônibus articulados movidos a biometano passaram a circular no corredor BRT Leste-Oeste, sistema que transporta mais de 3,6 milhões de passageiros por mês. Os veículos, com chassi Scania e carroceria Marcopolo, possuem cilindros de armazenamento em fibra de carbono instalados no teto, autonomia de 400 quilômetros e capacidade para até 145 passageiros.

O projeto integra um programa mais amplo que prevê a incorporação de 501 ônibus a biometano até o final de 2027, com meta de reduzir em até 95% as emissões de poluentes. Inicialmente, o abastecimento será realizado por carretas de biometano comprimido, com previsão de construção de uma usina dedicada no município de Guapó (GO) em até dois anos. A região também já opera com 48 ônibus elétricos, evidenciando a adoção simultânea de diferentes tecnologias. O biometano apresenta vantagens operacionais, como tempo de abastecimento semelhante ao diesel e possibilidade de distribuição tanto por modal rodoviário quanto por dutos, com elevado nível de segurança. Além disso, o uso do combustível permite integração com cadeias de saneamento e gestão de resíduos, reforçando a economia circular. Em paralelo, grandes centros urbanos avançam na eletrificação. Em São Paulo, há 1.259 ônibus elétricos em circulação, sendo 1.070 a bateria e 189 trólebus, o que representa cerca de 10% da frota operacional diária de 12.123 veículos.

O Plano de Metas 2024-2028 do município prevê a substituição de 2.200 ônibus por modelos movidos a energia limpa até o fim do período. A capital paulista também instituiu o programa Bio SP, que regulamenta a aquisição e a incorporação progressiva de biometano na frota de transporte público e de coleta de resíduos, ampliando o uso de soluções híbridas na descarbonização. Experiências em outras cidades reforçam a tendência de diversificação tecnológica. Londrina (PR) iniciou testes com micro-ônibus movido a biometano para avaliação de desempenho, consumo e autonomia. Suzano já conta com operação do combustível desde 2025, enquanto Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR) avaliam a adoção do gás proveniente de resíduos urbanos. O cenário indica que a descarbonização do transporte público no Brasil tende a ocorrer por meio da combinação de tecnologias, com o biometano se consolidando como alternativa de menor custo de transição e elevada aderência à infraestrutura existente, complementando a expansão da eletrificação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.