27/Apr/2026
A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) ocorre em um contexto de expansão relevante da produção nacional, criando condições para absorção da demanda adicional caso a medida seja confirmada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no dia 7 de maio. No Centro-Sul, principal região produtora, a safra 2026/27 deve registrar aumento de 13,4% na produção de etanol, totalizando 38,42 bilhões de litros. Projeção do Bradesco BBI indica crescimento de 15,2%, para 38,6 bilhões de litros. No consolidado nacional, a produção pode atingir 41,6 bilhões de litros, avanço de 14,6% na comparação anual. A estimativa setorial aponta incremento de aproximadamente 4 bilhões de litros adicionais nesta safra. A elevação na mistura (B32) pode ampliar a demanda por etanol anidro em até 1,68 bilhão de litros em 12 meses, volume inferior ao crescimento projetado da oferta.
O impacto concentra-se no etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, enquanto o consumo de etanol hidratado permanece condicionado à competitividade nas bombas e à relação de preços com o combustível fóssil. No lado da oferta, o aumento da produção reflete mudança no mix industrial. A queda das cotações do açúcar desde meados de 2025, combinada com maior atratividade econômica do etanol, tem direcionado as usinas para um mix mais alcooleiro, com redução da participação do açúcar para cerca de 46,7%. Apesar do reforço na demanda via mistura, o cenário de oferta elevada tende a manter pressão sobre os preços no curto prazo. Avaliações de mercado indicam continuidade do movimento de queda no segundo trimestre, com cotações próximas às mínimas anuais durante o pico da safra.
Nesse ambiente, a ampliação da mistura atua como mecanismo de absorção adicional da oferta, mas não elimina a necessidade de ajustes de preços para estimular o consumo de etanol hidratado, especialmente por meio da paridade com a gasolina. No mercado externo, a competitividade do etanol brasileiro permanece limitada, com desvantagens logísticas e de custos frente ao produto norte-americano, especialmente na Europa. Projeções indicam possibilidade de arbitragem negativa para exportações a partir de junho, restringindo o escoamento internacional. Diante desse quadro, o mercado doméstico tende a se consolidar como principal vetor de absorção da produção em 2026/27, reforçando a relevância da política de mistura e da dinâmica de preços internos para o equilíbrio do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.