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24/Apr/2026

“Canetas emagrecedoras”: uso em jovens diabéticos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de diabete tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos. A decisão amplia as opções terapêuticas para um público em que a incidência da doença tem aumentado nos últimos anos. O Brasil está entre os dez países com maior número de casos de diabete tipo 2 na faixa etária pediátrica, com cerca de 213 mil adolescentes convivendo com a doença e 1,46 milhão em condição de pré-diabete, conforme dados da Sociedade Brasileira de Diabete. O avanço está associado ao aumento da obesidade infantil, com prevalência de excesso de peso em um a cada três adolescentes entre 10 e 18 anos em 2022, segundo a Fiocruz. Em nível global, a obesidade infantil superou a desnutrição na maioria das regiões, conforme relatório do Unicef de 2025.

A aprovação foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 3 SURPASS-PEDS, conduzido pela Eli Lilly, que avaliou a eficácia e segurança da tirzepatida em 99 pacientes entre 10 e 17 anos com controle inadequado da glicemia, mesmo com uso de metformina, insulina basal ou ambos. Os resultados indicaram redução média de 2,2% na hemoglobina glicada após 30 semanas de tratamento em comparação ao placebo. Entre os participantes que utilizaram dose de 10 mg, 86% atingiram o nível alvo de hemoglobina glicada, igual ou inferior a 6,5%. Também foram observadas reduções no índice de massa corporal (IMC), com queda de 11,2% na maior dose avaliada no mesmo período. Os efeitos positivos sobre glicemia e IMC foram mantidos por até 52 semanas na extensão do estudo.

A tirzepatida atua como agonista duplo dos receptores dos hormônios GLP-1 e GIP, relacionados à regulação do apetite e do metabolismo da glicose. O perfil de segurança observado no estudo indicou baixa taxa de descontinuação por eventos adversos e ausência de casos de hipoglicemia grave. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram diarreia, náusea, vômito e dor abdominal, em geral de intensidade leve a moderada. O avanço terapêutico ocorre em um contexto de limitação de alternativas para o público pediátrico, embora ainda haja incertezas sobre efeitos de longo prazo, incluindo possíveis impactos no crescimento. A avaliação clínica tende a considerar a relação entre riscos e benefícios, diante das potenciais complicações associadas ao diabete tipo 2, como dislipidemia e doenças cardiovasculares precoces. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.