24/Apr/2026
O conflito no Oriente Médio provocou desorganização no mercado global de petróleo, com impactos diretos sobre a formação de preços e a dinâmica de abastecimento. O fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial da commodity, elevou as cotações internacionais e ampliou a volatilidade do mercado. No Brasil, o cenário resultou em defasagem relevante entre os preços domésticos de combustíveis e as referências internacionais, colocando em teste a estratégia comercial da Petrobras adotada desde 2023, quando a companhia deixou de seguir integralmente o preço de paridade de importação (PPI).
A capacidade de manter a política de menor repasse da volatilidade externa ao consumidor passa a ser um ponto de atenção diante da persistência de preços elevados no mercado internacional. As projeções anteriores ao conflito indicavam cotação do petróleo em torno de US$ 50,00 por barril em 2026. No entanto, após ataques a estruturas estratégicas no Irã no fim de fevereiro, os preços superaram o patamar de US$ 100,00 por barril. A expectativa predominante é de manutenção de preços pressionados, mesmo em eventual cenário de redução das tensões, diante da necessidade de recomposição de estoques globais.
Antes da escalada do conflito, a Petrobras havia apresentado o Plano de Negócios 2026-2030, sinalizando retenção de US$ 10 bilhões em investimentos em um contexto de petróleo ao redor de US$ 60,00 por barril. À época, os preços de derivados nas refinarias estavam próximos das referências internacionais, com destaque para o diesel, que permaneceu sem reajustes por mais de 300 dias. Com a elevação das cotações internacionais no início de março, o petróleo atingiu US$ 100,00 por barril, e o diesel registrou o maior valor desde 2023, levando a Petrobras a reajustar o combustível em 11,6%, ainda abaixo do necessário para atingir a paridade de importação.
O impacto da política de preços deve ser refletido nos resultados do primeiro trimestre, com possível compensação parcial por meio de receitas mais elevadas nas exportações de petróleo. No mercado interno, apesar da garantia de abastecimento, a alta dos combustíveis tende a se transmitir gradualmente à economia, tanto de forma direta, via gasolina, quanto indireta, por meio do diesel, com efeitos sobre custos logísticos e produtivos. A Petrobras, responsável por cerca de 70% do abastecimento nacional de combustíveis, indicou não haver necessidade de importação de diesel no curto prazo, contribuindo para a estabilidade do suprimento no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.