23/Apr/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York encerraram em alta nesta quarta-feira (22/04), refletindo ajuste nas projeções de superávit global e suporte do mercado de energia. O vencimento julho avançou 9 pontos (0,66%), e fechou a 13,81 centavos de dólar por libra-peso, após recuperação das mínimas recentes. O movimento foi influenciado pela revisão das estimativas de excedente global. A consultoria Czarnikow reduziu sua projeção para o superávit mundial em 2026/27 de 3,4 milhões para 1,1 milhão de toneladas. Para a safra 2025/26, o ajuste foi de 8,3 milhões para 5,8 milhões de toneladas.
No mesmo sentido, a Covrig Analytics revisou o saldo positivo para 800 mil toneladas, ante 1,4 milhão, indicando impacto logístico decorrente do bloqueio no Estreito de Ormuz, que afeta cerca de 6% do comércio global da commodity. No Brasil, a perspectiva de menor oferta também contribui para a sustentação dos preços. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção de 42,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, recuo de 3% em relação ao ciclo anterior, em função da maior destinação da cana-de-açúcar para etanol. O avanço do petróleo reforça esse movimento. O WTI registrou alta de 3,33%, para US$ 92,66 por barril, elevando a competitividade do biocombustível e incentivando um mix mais voltado ao etanol, o que reduz a disponibilidade de açúcar no mercado.
Apesar do suporte, o cenário de alta encontra limite na oferta consolidada de grandes produtores. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de açúcar em 44,18 milhões de toneladas na safra 2025/26, a segunda maior da série histórica. Na Índia, a produção acumulada até 15 de abril alcançou 27,48 milhões de toneladas, crescimento de 7,7% na comparação anual. O governo local mantém a sinalização de continuidade das exportações, contribuindo para a percepção de oferta global ainda suficiente no horizonte mais longo. A dinâmica atual combina ajuste nas expectativas de excedente, influência do mercado energético e fatores logísticos, com impactos diretos sobre a formação de preços no mercado internacional.