23/Apr/2026
A demanda global por etanol no bunker marítimo pode alcançar entre 45 bilhões e 90 bilhões de litros por ano até 2050. No curto prazo, entre 2026 e 2029, o consumo estimado varia de 500 milhões a 2,25 bilhões de litros anuais, ainda em estágio inicial de adoção. As estimativas consideram a expansão gradual da participação do etanol no mercado global de bunker, atualmente estimado em cerca de 242 milhões de toneladas por ano, equivalentes a aproximadamente 306 bilhões de litros, ainda majoritariamente atendido por combustíveis fósseis. A participação do biocombustível deve evoluir de 0,1% a 0,5% no curto prazo para até 10% a 20% até 2050, alinhada às metas de descarbonização da Organização Marítima Internacional (IMO).
O avanço da demanda está associado à intensificação das exigências regulatórias ambientais e à expansão do comércio marítimo, responsável por mais de 80% do fluxo global de mercadorias. Iniciativas já em curso indicam o potencial de crescimento, como projetos de embarcações movidas a etanol, com consumo estimado em cerca de 10 mil toneladas por viagem à Ásia, equivalente a aproximadamente 12,7 milhões de litros, podendo atingir até quatro viagens anuais por navio. Apesar das perspectivas positivas, o uso do etanol apresenta desafios técnicos, especialmente em função da menor densidade energética em relação ao óleo combustível, exigindo cerca de 1,5 vez mais volume para entrega equivalente de energia.
Por outro lado, o biocombustível oferece vantagens ambientais relevantes, com potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa entre 70% e 90% no ciclo de vida, com destaque para o etanol de cana-de-açúcar. Para efeito de comparação, a produção brasileira de etanol está estimada em 41,82 bilhões de litros na safra 2026/27, indicando que, em cenário mais avançado, a demanda do bunker marítimo pode superar a atual capacidade produtiva do País. A consolidação desse mercado representa oportunidade relevante para o setor sucroenergético, com potencial de ampliação da demanda global e reconfiguração das cadeias energéticas no transporte marítimo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.