22/Apr/2026
Incertezas internas e externas têm deixado agentes do mercado doméstico de etanol apreensivos. As preocupações recaem sobretudo sobre o aumento da oferta de etanol de milho na atual safra 2026/27 e sobre as cotações internacionais do açúcar. No front interno, com uma possível maior oferta, os valores dos etanóis hidratado e anidro tendem a ser pressionados no ciclo 2026/27, e os preços nas bombas tendem a acompanhar o movimento de queda do segmento produtor. Esse contexto, por sua vez, deve aquecer as vendas de etanol no varejo. Por enquanto, agentes do mercado relatam que há pouca migração do consumidor de gasolina C para o biocombustível, gerando, por ora, pouca necessidade de novas compras por parte das distribuidoras. No front externo, as atenções recaem sobre o conflito no Oriente Médio, que tende a encarecer os custos das atividades (diesel e adubos) e reduzir as margens das usinas de cana-de-açúcar. Além disso, as cotações do açúcar nas bolsas internacionais vêm acumulando quedas, cenário que pode levar usinas a aumentarem o mix de etanol.
Em meio a esse cenário, os preços dos etanóis estão pressionados no mercado spot do estado de São Paulo. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado está cotado a R$ 2,5920 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), recuo de 7,01% nos últimos sete dias. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ está cotado a R$ 2,9575 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), retração de 7,43% na mesma base de comparação. A última vez que o combustível ficou abaixo dos R$ 3,00 por litro foi em 1º de agosto do ano passado. Apesar de pressionado, o ritmo de negócios está um pouco melhor, mas ainda restrito a volumes pequenos e “picados”. Distribuidoras seguem postergando ao máximo algum tipo de reposição de produto e o comprador segue mais retraído. Do lado vendedor, a postura é mais agressiva, com mais volumes sendo ofertados, devido ao início das operações de novas unidades produtoras. Na modalidade “contratos”, os volumes de etanol anidro já estão sendo negociados. De um lado, os vendedores buscam prêmios sobre o hidratado de 11% a 13%, enquanto compradores tentam fechar de 10% a 11%.
Esses percentuais, que são menores que os da safra anterior, refletem a expectativa dos agentes do mercado de uma produção grande de etanol na temporada atual. Mesmo com a expectativa da implementação do E32, ainda assim, a oferta de anidro tende a ser suficiente para atender essa demanda adicional. Vale lembrar que esses volumes contratados atendem à Resolução ANP nº 67, de 2011, que estabelece as definições e regulamentações para a aquisição de etanol anidro combustível no Brasil. Distribuidoras precisam contratar volumes equivalentes a 90% (comercialização de gasolina C no ano civil anterior (ano Y-1), considerando o percentual de mistura obrigatória vigente), sendo 70% do volume de anidro no mercado contratado fechado até o começo de maio, e os outros 20% até o início de junho. Em São Paulo, nos últimos sete dias, o açúcar cristal está 15,4% acima do etanol hidratado e 5,5% acima do verificado para o etanol anidro. Entre os dois etanóis, o preço do anidro é 9,29% superior ao do hidratado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.