22/Apr/2026
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem entre os preços dos combustíveis praticados no Brasil e as cotações internacionais permanece elevada, mesmo após o recuo recente do petróleo no mercado externo. Com o barril em torno de US$ 90,00, os valores internos seguem abaixo da paridade de importação, mantendo distorções no mercado. As estimativas indicam defasagem de 31% no diesel e de 41% na gasolina em relação ao mercado internacional. Para atingir a paridade de importação, os ajustes necessários seriam de R$ 1,12 por litro no diesel e de R$ 1,03 por litro na gasolina, evidenciando o descompasso entre os preços domésticos e externos.
O cenário tem resultado em fechamento das janelas de importação, com 97 dias sem viabilidade para entrada de diesel e 54 dias sem importações de gasolina. A restrição reduz a competitividade de agentes importadores e amplia a dependência da produção doméstica. Apesar disso, o abastecimento interno permanece atendido, sustentado pelo aumento do fator de utilização das refinarias e pelo adiamento de paradas de manutenção. O Brasil ainda depende de importações para cerca de 25% a 30% do consumo de diesel, enquanto na gasolina a dependência é inferior a 10%. No segmento de refino independente, a política de preços segue alinhada à paridade internacional, resultando em valores acima do mercado externo. Em unidade localizada na Bahia, os preços do diesel estão cerca de 21% superiores ao referencial do Golfo do México, enquanto a gasolina apresenta diferença de 11%.
Mesmo com reduções recentes de R$ 0,21 por litro no diesel e de R$ 0,18 por litro na gasolina, os valores permanecem acima da paridade. O cenário evidencia uma dualidade no mercado doméstico, com preços abaixo da referência internacional no sistema dominante e acima em unidades com política de paridade, gerando impactos sobre a formação de preços, competitividade e dinâmica inflacionária. A continuidade desse ambiente dependerá da trajetória do petróleo, da evolução das tensões geopolíticas e das estratégias de precificação e oferta no mercado interno, com implicações diretas sobre custos logísticos, inflação e competitividade dos setores produtivos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.