20/Apr/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em forte queda na Bolsa de Nova York na sexta-feira (17/04), atingindo o menor nível para o vencimento mais próximo em cinco anos e meio. O contrato julho recuou 32 pontos, ou 2,32%, e fechou a 13,48 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi influenciado pela queda acentuada do petróleo e pelo alívio nas tensões geopolíticas, após a reabertura do Estreito de Ormuz para navegação comercial durante o cessar-fogo. O petróleo WTI registrou recuo superior a 12%, sendo negociado próximo de US$ 83,00 por barril.
A retração do petróleo reduz a competitividade do etanol frente ao açúcar, especialmente no Brasil, incentivando usinas a direcionarem maior volume de cana para a produção do açúcar. Esse ajuste no mix tende a elevar a oferta global de açúcar e pressionar as cotações. No cenário internacional, a oferta abundante segue limitando reações de alta. Na Índia, a produção na safra 2025/26 atingiu 27,48 milhões de toneladas até 15 de abril, alta de 7,7% em relação ao ciclo anterior. Além disso, a manutenção das exportações pelo país reforça a percepção de mercado bem abastecido.
Projeções de consultorias indicam superávit global entre 2,74 milhões e 3,4 milhões de toneladas na próxima temporada, consolidando o viés de oferta elevada. No Brasil, estimativas apontam moagem de 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27, com produção de açúcar de 40,7 milhões de toneladas, reforçando o cenário de ampla disponibilidade. Apesar do quadro atual de pressão baixista, a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño mais intenso no segundo semestre mantém o risco de volatilidade sobre o balanço global de oferta e demanda.