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17/Apr/2026

Cana: CTC inaugura unidade de sementes sintéticas

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou nesta quinta-feira (16/04), em Piracicaba (SP), sua primeira Unidade de Produção de Sementes (UPS), em um movimento que marca a transição da tecnologia de sementes sintéticas da fase de pesquisa para a escala industrial. A unidade tem 10 mil m² e capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano, com potencial de expansão conforme o avanço da tecnologia. Com investimento superior a R$ 100 milhões e apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a estrutura funciona como ponte entre o desenvolvimento científico e a operação no campo. A UPS representa a virada entre o desenvolvimento científico e a aplicação em escala. É o momento em que pesquisa se transforma em capacidade operacional no campo, permitindo que o setor capture valor de forma mais rápida e consistente.

Desenvolvida desde 2013, a solução já consumiu cerca de R$ 1 bilhão em investimentos e envolve uma equipe de aproximadamente 150 especialistas. A proposta é substituir o modelo tradicional de plantio por colmos, base da cultura há mais de um século, por cápsulas com material biológico pré-germinado, com maior padronização, controle sanitário e eficiência operacional. Segundo o CTC, o processo produtivo combina ambiente laboratorial altamente controlado com automação industrial, permitindo produção contínua e padronizada do início ao fim. A UPS consolida a estratégia do CTC de integrar melhoramento genético, biotecnologia, ciência de dados e sementes sintéticas em um único sistema produtivo, com o objetivo de elevar a produtividade do setor.

A UPS marca o início de uma nova fase para o setor sucroenergético. A ideia de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros se materializa ainda mais com resultados concretos no campo, a partir de agora. Ainda em fase de validação, as sementes sintéticas devem ter adoção gradual nos próximos anos. Para o CTC, a nova unidade é peça central para viabilizar esse avanço e acelerar a chegada da tecnologia ao campo em escala. A adoção de sementes sintéticas no cultivo de cana-de-açúcar pode provocar uma mudança estrutural no setor, com impacto direto sobre custos, produtividade e modelo operacional das usinas. A principal ruptura está na substituição do plantio por colmos, base do sistema atual, por um modelo mais leve, padronizado e escalável. Vai ser difícil o cliente conviver com os dois modelos.

O produtor provavelmente vai optar pelo mais eficiente e mais produtivo. Deve haver uma "virada de chave" no setor com a adoção da tecnologia. Um dos efeitos mais imediatos poderá ser a eliminação dos viveiros, que hoje ocupam cerca de 5% da área agrícola. Isso vai virar área de moagem, então vira receita. A mudança também atinge a logística do plantio. O volume de material necessário por hectare cai de cerca de 16 toneladas de cana-de-açúcar para aproximadamente 400 quilos de sementes, com impacto relevante sobre transporte, consumo de diesel e eficiência operacional. É um plantio 40 vezes menor, mais leve, com ganho de velocidade. No campo, o ganho de eficiência tende a ser significativo. Hoje, o plantio envolve cerca de 20 máquinas e produtividade média de 8 hectares por dia.

Com a nova tecnologia, a expectativa é reduzir o número de equipamentos pela metade e elevar a capacidade para até 50 hectares diários, com potencial de avanço adicional. O sistema também encurta o ciclo de planejamento agrícola. Enquanto o modelo atual exige até dois anos de preparação para formação de mudas, a semente sintética permite decisões em prazos mais curtos. A usina vai poder escolher a variedade, fazer um pedido e ter disponível para o plantio. Além disso, a tecnologia deve reduzir falhas no plantio, melhorar a uniformidade dos canaviais e acelerar a adoção de novas variedades, ao permitir expansão mais rápida em escala. Hoje, a multiplicação por colmos pode levar de cinco a seis anos para atingir grandes áreas.

Com sementes, esse processo pode ocorrer de forma praticamente imediata. Outro impacto relevante está na própria lógica agronômica da cultura. A expectativa do CTC é que o ciclo ideal de renovação dos canaviais caia de cinco ou seis cortes para quatro, ou até menos, diante da maior disponibilidade de materiais mais produtivos. Após o quarto corte, pode não valer a pena estender a longevidade porque você deixa dinheiro na mesa. Apesar do potencial, o custo da tecnologia ainda não está definido. Ainda assim, o interesse do setor já é elevado. Segundo o CTC, representantes de cerca de 70% da moagem brasileira participaram do evento de lançamento, e usinas têm demonstrado disposição para testar a tecnologia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.