17/Apr/2026
Os preços do açúcar demerara na Bolsa de Nova York registraram alta nesta quinta-feira (16/04), sustentados por movimento de recuperação técnica após atingirem mínimas de cinco anos e meio na sessão anterior. O vencimento julho avançou 10 pontos, ou 0,73%, e fechou a 13,80 centavos de dólar por libra-peso. O suporte às cotações veio principalmente do mercado de energia, com valorização do petróleo WTI próxima de 4%, negociado a US$ 94,93 por barril.
O avanço do petróleo eleva a competitividade do etanol no Brasil, incentivando um mix de produção mais direcionado ao biocombustível no início da safra, o que tende a restringir a oferta imediata de açúcar. Apesar do suporte externo, os fundamentos de oferta global seguem limitando ganhos mais expressivos. Na Índia, a produção de açúcar no ciclo 2025/26 alcançou 27,39 milhões de toneladas até 14 de abril, volume 9,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A manutenção da política de exportações pelo país reforça o cenário de ampla disponibilidade no mercado internacional. No Brasil, as projeções para o Centro-Sul indicam elevação na oferta potencial.
A moagem de cana-de-açúcar para a safra 2026/27 é estimada em 620 milhões de toneladas, com produção de açúcar em 40,7 milhões de toneladas. Em cenário mais expansionista, há estimativas de processamento de até 635 milhões de toneladas, o que reforça o viés de pressão sobre os preços no médio prazo. O mercado segue ajustando expectativas entre o suporte de curto prazo vindo do setor energético e a perspectiva de ampla oferta global, mantendo o equilíbrio das cotações condicionado à dinâmica entre energia e fundamentos produtivos.