17/Apr/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou falhas na fabricação de canetas manipuladas para tratamento de obesidade. Os problemas vão de contaminação até o uso de insumos irregulares, conforme exposto na quarta-feira (15/04), em reunião da diretoria colegiada da agência. O dossiê produzido a partir da investigação dos problemas ligados à comercialização do produto foi a base para que a Anvisa decidisse endurecer a fiscalização. No dia 6 de abril, a agência anunciou que iria implementar novas exigências. A pauta das mudanças deveria ser discutida no dia 15 de abril, mas a discussão foi adiada para o dia 29 de abril. Foram identificadas falhas que comprometem de forma direta a segurança do paciente. Atualmente, só a farmacêutica Eli Lilly tem autorização para comercializar a tirzepatida (sob o nome de Mounjaro) no Brasil, mas é permitida a manipulação por farmácias do ramo para casos específicos.
Foi nessa cadeia de produção que a Anvisa identificou: problemas de esterilização e consequente risco de contaminação biológica; falhas na cadeia de armazenamento e transporte; ausência de controle adequado de cadeia fria e condições ambientais; uso de insumos irregulares, sem controle de qualidade e de origem desconhecida. A agência também citou que os medicamentos manipulados muitas vezes são vendidos sem prescrição, e flagrou empresas com estoques, algo incompatível com a autorização de produção individualizada, e que elas adotam estratégias de marketing para venda dos produtos. Isso Contribui para a banalização do uso desses medicamentos. O conjunto de achados configura um cenário complexo de risco sanitário que demanda respostas regulatórias. Além das questões relacionadas à manipulação, a Anvisa identificou problemas como importação e comercialização de produtos sem registro e falsificados.
Esses fatores ampliam significativamente o risco de eventos adversos graves e dificultam a atuação preventiva e corretiva do sistema nacional de vigilância sanitária. A proposta para reformar as regras sobre importação e manipulação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) dos medicamentos será publicada no site da agência até esta sexta-feira (17/04). O adiamento foi motivado pela necessidade de fazer novas consultas para levantar subsídios para as mudanças. Considerando a relevância do tema, é importante aprofundar a discussão. Segundo a Anvisa, entre novembro de 2025 e este mês, foram importados mais de 100 quilos de IFA de tirzepatida, o suficiente para produzir cerca de 20 milhões de canetas de 5 mg.
A Anvisa assinou termos de cooperação com os Conselhos Federais de Medicina, Farmácia e Odontologia para promover o uso seguro das canetas e anunciou a criação de dois grupos de trabalho para tratar do tema, um com membros de todas as diretorias da agência e outro com representantes dos conselhos. As entidades de classe se comprometem a cooperar com o compartilhamento de informações estratégicas, com o estímulo à prescrição responsável e à notificação de eventos adversos por meio dos sistemas da Anvisa. Os termos também incluem a promoção de ações educativas voltadas aos profissionais de saúde e à população em geral. No dia 7 de abril, a Polícia Federal, com apoio da Anvisa, realizou uma operação contra a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de medicamentos e insumos farmacêuticos destinados à perda de peso no País. A ação, intitulada Heavy Pen, mirou produtos vendidos como semaglutida (princípio ativo de Ozempic e Wegovy) e tirzepatida.
Ela mirou também supostas doses de retatrutida, composto ainda em fase de testes e sem autorização para venda no Brasil, e toda a cadeia ilegal, da importação fraudulenta à distribuição e venda irregular dessas substâncias. Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além da realização de 24 ações de fiscalização, em 12 Estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe, Amapá e Santa Catarina. Agentes fiscalizaram farmácias de manipulação, clínicas de estética e empresas que produzem, fracionam ou vendem medicamentos sem registro ou de origem desconhecida. De acordo com a PF, as apreensões de medicamentos para perda de peso saltaram de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025. Até março deste ano, 54.577 unidades já foram apreendidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.