16/Apr/2026
A elevação do preço do diesel passou a impactar diretamente os custos de produção da cana-de-açúcar, com aumento estimado de R$ 250,00 por hectare a cada R$ 1,00 de alta no litro do combustível. O movimento reverte a expectativa inicial de redução de custos para o ciclo 2026/27, ampliando a pressão sobre a rentabilidade do setor. Apesar do avanço nos custos, a safra do Centro-Sul deve apresentar maior volume. A estimativa inicial aponta para cerca de 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sustentada pela recuperação da produtividade agrícola e pelo bom desenvolvimento das lavouras, com potencial de revisão para cima ao longo do ciclo.
Mesmo com maior oferta, o cenário indica pressão sobre os preços. A projeção para o indicador do Consecana São Paulo é de R$ 1,0368 por quilo de ATR na safra 2026/27, sinalizando remuneração inferior à observada em ciclos recentes. Esse movimento reflete o equilíbrio mais folgado entre oferta e demanda, além das condições de mercado. A formação de preços permanece sensível ao setor de combustíveis. Simulações indicam que, em um cenário de alinhamento integral dos preços da gasolina aos níveis internacionais, o indicador poderia alcançar aproximadamente R$ 1,12 por quilo de ATR, evidenciando o impacto direto da política de preços sobre a remuneração da cana-de-açúcar.
No campo produtivo, observa-se maior direcionamento do mix para o etanol, enquanto o ATR apresenta níveis mais baixos em relação à safra anterior. O regime de chuvas mais favorável contribui para o aumento do volume produzido, mas reduz a concentração de açúcares na matéria-prima. Os fornecedores independentes mantêm papel relevante na cadeia produtiva, respondendo por cerca de 40% da cana processada no Centro-Sul nos últimos anos, o que reforça sua importância estrutural no abastecimento das usinas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.