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16/Apr/2026

Etanol: guerra reforça papel dos biocombustíveis

Segundo a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o avanço do conflito envolvendo o Irã e seus efeitos sobre o mercado de petróleo reforçam o papel estratégico do etanol no sistema energético global, em um contexto de reconfiguração estrutural da matriz energética. O ambiente atual é caracterizado por choques de oferta, tensões geopolíticas e mudanças estruturais que impactam diretamente preços e cadeias produtivas. A dinâmica recente remete ao primeiro choque do petróleo na década de 1970, período que impulsionou o desenvolvimento da cana-de-açúcar no Brasil. O atual cenário, no entanto, apresenta maior complexidade, com interações entre energia, alimentos e inflação em escala global. O conflito no Oriente Médio amplia incertezas tanto no campo militar quanto econômico, com destaque para a relevância estratégica dos fluxos energéticos globais.

Mais de 80% do petróleo e 90% do gás oriundos do Golfo têm como destino a Ásia, elevando a sensibilidade do mercado a eventuais interrupções logísticas, especialmente no Estreito de Ormuz. Esse contexto tende a pressionar os preços da energia, com reflexos inflacionários globais, dada a correlação entre petróleo e alimentos. Movimentos de alta no petróleo historicamente se traduzem em aumento de custos ao longo das cadeias produtivas, impactando diretamente os preços de alimentos. Apesar disso, o impacto recente sobre os alimentos foi parcialmente mitigado por fatores como recomposição de estoques e menor dependência global do petróleo. A participação do petróleo na matriz energética mundial recuou de cerca de 50% para aproximadamente 30%, reduzindo sua influência relativa.

Ainda assim, projeções de mercado indicam o barril na faixa de US$ 110 entre abril e junho, mantendo o viés de pressão sobre custos. O ambiente atual também evidencia uma mudança conceitual na transição energética, que passa a ser caracterizada como um processo de adição de fontes, no qual energias renováveis se somam aos combustíveis fósseis no curto prazo, em vez de substituí-los integralmente. Nesse cenário, o Brasil apresenta potencial relevante ao combinar bioenergia, fontes renováveis e recursos minerais estratégicos. No entanto, a conversão desse potencial em liderança global depende de maior consistência na formulação e execução de políticas de Estado, com foco em presença internacional e capacidade de implementação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.