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15/Apr/2026

Cana: perspectivas positivas para safra 2026/2027

Segundo o Bradesco BBI, a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil deve marcar o início de um novo ciclo de recuperação do setor, com melhora de produtividade, aumento da produção de etanol e sustentação dos preços. O principal movimento esperado está na mudança do mix produtivo. Após um período de maior direcionamento para o açúcar, as usinas tendem a priorizar o etanol, refletindo a perda de competitividade do adoçante e o fortalecimento do biocombustível no mercado. A participação do açúcar no mix deve recuar para 46,7%, queda de 3,8% em relação ao ciclo anterior. Com isso, a produção do açúcar é estimada em 39,4 milhões de toneladas, redução de 2,2%. Em contrapartida, a produção total de etanol deve atingir recorde de 38,6 bilhões de litros, com crescimento de 15,2%.

O avanço do etanol será impulsionado tanto pela cana quanto pelo milho, que segue ampliando participação na matriz produtiva. A produção do biocombustível a partir do cereal deve crescer 19,3%, reforçando a tendência de diversificação do setor. Pelo lado da demanda, o cenário também favorece o etanol. A alta dos preços da gasolina, influenciada pelo contexto internacional, e a maior competitividade nas bombas devem ampliar o consumo. A projeção é de crescimento de 1,4% no consumo do ciclo Otto e aumento da participação do etanol hidratado para 25,4%. Mesmo com a redução da oferta de açúcar, as exportações brasileiras devem permanecer firmes, estimadas em 34,7 milhões de toneladas. No campo, a moagem de cana-de-açúcar deve alcançar 625,8 milhões de toneladas, alta de 3,2%, com o segundo maior volume da série histórica.

O desempenho é sustentado pelo avanço de 4,2% na produtividade agrícola, estimada em 78,5 toneladas por hectare, e pela melhora de 2,4% no teor de açúcar recuperável (ATR). A recuperação produtiva está associada à melhora das condições climáticas após períodos recentes de estiagem. Ainda assim, o clima segue como fator de risco, especialmente diante da possibilidade de ocorrência de El Niño no segundo semestre, que pode provocar excesso de chuvas e atrasos na colheita. A combinação de menor oferta de açúcar no mix e incertezas sobre a produção em regiões asiáticas deve contribuir para a sustentação dos preços ao longo da safra. Ainda assim, a relação de preços entre açúcar e etanol seguirá como principal variável para a definição das estratégias das usinas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.