09/Apr/2026
Os contratos futuros de açúcar registraram queda acentuada nas bolsas internacionais, refletindo principalmente o recuo expressivo dos preços do petróleo após o alívio nas tensões geopolíticas globais. Na Bolsa de Nova York, o contrato maio do açúcar demerara recuou 2,40% (35 pontos), e fechou a 14,23 centavos de dólar por libra-peso, no menor nível em três semanas. O principal vetor de pressão foi a forte desvalorização do petróleo, com o WTI recuando mais de 16%, negociado a US$ 92,55 por barril, em reação ao cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã e à perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz.
A queda do petróleo reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis, o que tende a incentivar usinas, especialmente no Brasil, a direcionarem maior volume de cana-de-açúcar para a produção de açúcar, ampliando a oferta global do açúcar. No cenário internacional, a oferta também segue como fator de pressão. A Índia confirmou a manutenção das exportações, afastando temores de restrições ao comércio externo. A produção do país atingiu 27,12 milhões de toneladas até março, alta de 9% na comparação anual. No Brasil, os fundamentos também indicam viés baixista. Dados de mercado mostram avanço no hedge da safra 2026/27, que já alcança 42,6%, sinalizando maior fixação de preços por parte dos produtores diante dos níveis atuais de mercado.