09/Apr/2026
A montadora chinesa BYD foi incluída na “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cuja nova versão foi divulgada na segunda-feira (06/04). O cadastro reúne empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. Os casos são incluídos na lista após a conclusão de processos administrativos, com direito à ampla defesa. Os nomes permanecem publicados por dois anos. A BYD também foi autuada em uma ação de fiscalização em 2024, em Camaçari (BA). De acordo com o MTE, foram realizadas diversas diligências fiscais entre dezembro de 2024 e maio de 2025 na construção do empreendimento. Em uma dessas ações, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão. Os funcionários “estavam submetidos a condições de vida e trabalho extremamente precárias”, sendo obrigados a dormir em camas sem colchões e guardar seus pertences com ferramentas de trabalho e alimentos.
“Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro disponível para 31 pessoas, o que os obrigava a acordar às 4h da manhã para conseguirem se preparar para a jornada”, escreveu o MTE na época. Ainda segundo a Pasta, os auditores também identificaram indícios de que a BYD teria cometido fraude contra as autoridades migratórias brasileiras, com o objetivo de viabilizar a entrada dos trabalhadores estrangeiros no País sem o devido registro e em desacordo com a legislação vigente. Ao todo, 169 novos nomes foram incluídos na atualização. Criada em 2003, a “lista suja” é publicada semestralmente para divulgar os resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação do MPT, da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, de outras forças policiais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.