07/Apr/2026
No balanço da safra 2025/26, que se encerrou oficialmente em março, o mercado de açúcar foi marcado por um movimento de baixa dos preços em relação ao ciclo anterior, que havia registrado patamares elevados, acima do usual. A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130–180) no estado de São Paulo passou de R$ 145,28 porn saca de 50 Kg na safra 2024/25 para R$ 116,90 por saca de 50 Kg na safra 2025/26, com recuo de quase 20%, reflexo da maior disponibilidade global e do reequilíbrio entre oferta e demanda. Ao longo da temporada, os valores oscilaram, cenário relacionado, em grande medida, a fatores externos, com destaque para a geopolítica e o ambiente macroeconômico, que ampliaram a percepção de risco e contribuíram para movimentos pontuais de alta, sem, contudo, alterar de forma estrutural a tendência de mercado. As perspectivas iniciais indicam manutenção de um cenário internacional com preços entre estáveis e pressionados para baixo.
A expectativa de maior disponibilidade de cana-de-açúcar tende a elevar a produção, ampliando a oferta potencial de açúcar. Nesse contexto, a geopolítica deve seguir como vetor relevante, atuando predominantemente por meio do mercado de energia, em especial pela relação entre petróleo e etanol, influenciando o direcionamento do mix produtivo. Embora eventos como tensões regionais, políticas comerciais e oscilações cambiais possam gerar movimentos altistas no curto prazo, fatores como decisões de exportação da Índia, condições climáticas e o comportamento do petróleo permanecem centrais para a formação de preços, enquanto o câmbio pode atuar como elemento de sustentação parcial da rentabilidade das usinas brasileiras. Em suma, a nova safra herda um mercado estruturalmente superavitário, com preços abaixo dos picos recentes, e navegará entre dois vetores opostos: a pressão baixista dos fundamentos de oferta e demanda e a volatilidade altista potencial derivada da geopolítica, sobretudo via mercado de energia e reorganização dos fluxos comerciais globais.
Nos últimos sete dias, especificamente, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco em São Paulo, mantém o movimento de alta, mas em ritmo mais moderado. As cotações permanecem acima de R$ 105,00 por saca de 50 Kg durante o período, com pequenas oscilações diárias e leve ajuste negativo nos últimos dias. O mercado spot segue com maior participação compradora. Diante do cenário recente de alta nos preços, demandantes mantêm a estratégia de recomposição de estoques, buscando antecipar aquisições, também influenciados pela instabilidade nos preços do petróleo, o que reforça a cautela quanto a possíveis elevações adicionais nas cotações. Pelo lado da oferta, a disponibilidade limitada, característica do período de entressafra, continua restringindo o volume ofertado e dando sustentação às cotações. O Indicador tem média de R$ 105,31 por saca de 50 Kg, avanço de 2,76% nos últimos sete dias (R$ 102,49 por saca de 50 Kg). No período, os preços oscilaram entre R$ 105,06 e R$ 105,46 por saca de 50 Kg.
No cenário internacional, o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã segue como pano de fundo para o mercado de açúcar demerara na Bolsa de Nova York, mas o movimento predominante é de baixa. O contrato Maio/26 está cotado a 15,00 centavos de dólar por libra-peso, queda de 4,82% nos últimos sete dias (15,72 centavos de dólar por libra-peso). O recuo dá continuidade à correção técnica observada nas semanas anteriores. Dentre os fatores de pressão está a expectativa de safras volumosas em países-chave na produção de açúcar. A Tailândia sinalizou produção elevada, reforçando a percepção de oferta confortável no curto prazo. Há, porém, alertas em relação a essa leitura. Na Índia, o fechamento antecipado de usinas resultou no segundo déficit consecutivo de açúcar, e representantes do setor indicam que a produção não deve atender sequer ao consumo interno, mesmo após o governo ter autorizado exportações na expectativa de um grande excedente.
A escalada do petróleo acima de US$ 100,00 por barril, impulsionada pelo discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, pressiona o mix em favor do etanol. No Brasil, o governo avalia elevar para 32% a mistura de etanol anidro na gasolina, medida que, se implementada, tende a ampliar a demanda pelo biocombustível e incentivar as usinas a direcionar maior parcela da cana-de-açúcar para o etanol na safra 2026/27, reduzindo a oferta exportável de açúcar. O movimento não é exclusivo do Brasil: na Índia, analistas indicam que será necessário limitar exportações de açúcar para viabilizar a expansão da produção de etanol. Esse redirecionamento global do mix produtivo em favor do etanol representa um fator de sustentação para o preço do demerara. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.