07/Apr/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em queda na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (06/04), pressionados pela oferta elevada no mercado internacional. O vencimento maio recuou 0,20% (3 pontos), e fechou a 14,97 centavos de dólar por libra-peso, no menor nível em duas semanas. O movimento foi influenciado pela continuidade de dados robustos de produção na Ásia. Na Índia, a produção alcançou 27,12 milhões de toneladas entre outubro e março, avanço de 9% em relação ao ciclo anterior, reforçando a disponibilidade global da commodity.
No Brasil, o cenário de oferta também contribui para a pressão sobre os preços. A produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 soma 40,25 milhões de toneladas, alta de 0,7%, indicando manutenção de volumes elevados na reta final do ciclo. As perspectivas de médio prazo seguem apontando superávit global. Projeções indicam excedente de 1,4 milhão de toneladas na safra 2025/26, sustentado pela recuperação produtiva em países como Tailândia e Índia.
Além disso, o nível de hedge das usinas brasileiras para a safra 2026/27 atinge 42,6%, sinalizando maior pressão de venda futura e limitando movimentos de alta mais consistentes. Por outro lado, fatores cambiais e logísticos restringiram quedas mais acentuadas. A valorização do real frente ao dólar reduz o incentivo às exportações, enquanto restrições no fluxo marítimo internacional mantêm custos elevados de frete e seguro, influenciando a dinâmica de preços. No cenário prospectivo, há suporte adicional associado a riscos climáticos, com expectativa de formação de El Niño no segundo semestre, o que pode impactar a produção asiática e alterar o equilíbrio global de oferta e demanda.