ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

07/Apr/2026

Etanol: preço médio fica acima da safra anterior

Em São Paulo, o mês de março, o último do período de entressafra, fechou com os preços dos etanóis em queda. Mesmo assim, no acumulado do ciclo 2025/26 (de abril/25 a março/26), os valores médios do hidratado e do anidro negociados no estado de São Paulo ficaram acima dos da temporada anterior (2024/25). Em março, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado registrou média de R$ 2,9288 por litro, recuo de 1,49% frente a fevereiro/26. Para o etanol anidro (modalidade spot e contratos), a média foi de R$ 3,2834 por litro, queda de 3,66% no mesmo comparativo. O movimento de baixa já vinha sendo observado no mês anterior, refletindo, sobretudo, o enfraquecimento da demanda e os ajustes típicos de final de safra em parte das unidades produtoras. No acumulado da safra 2025/26, contudo, o etanol hidratado teve média de R$ 2,7805 por litro, alta de 6,52% frente à da temporada anterior, em termos reais (dados deflacionados pelo IGP-M de março). O anidro teve média de R$ 3,1291 por litro, com avanço de 6,21% na mesma comparação.

Em termos de volume vendido pelas usinas de São Paulo, o total de etanol hidratado caiu 28% na temporada 2025/26 frente ao ciclo anterior. O mês de maio/25 se destacou pelo elevado volume negociado, enquanto julho/25 foi marcado pela menor quantidade comercializada. Ao longo do ciclo 2025/26, a relação entre os preços do etanol hidratado e da gasolina C nas bombas ficou abaixo dos 70% no estado de São Paulo, considerada vantajosa para o biocombustível. Dados mais atuais divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que as vendas de gasolina C em território nacional somaram 43,38 bilhões de litros na temporada 2025/26 (de abril/25 até fevereiro/26), contra 41,06 bilhões de litros de um ciclo atrás, crescimento de 5,64%. No caso do etanol hidratado, no mesmo comparativo, houve recuo de 4,24%, somando 19,04 bilhões de litros de abril/25 a fevereiro/26, contra 19,885 bilhões de litros no ciclo anterior. Para a safra 2026/27, iniciada oficialmente no dia 1º de abril, o ambiente tende a ser de maior cautela. As atuais volatilidades nos preços do petróleo e a perspectiva de aumento da oferta de etanol, especialmente a partir do milho, podem gerar um cenário particular.

Neste momento, os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e, por consequência, o comportamento do preço do barril do petróleo serão decisivos para as estratégias das usinas brasileiras. As projeções preliminares de moagem de cana-de-açúcar para a safra 2026/27 na região Centro-Sul estão estimadas em torno de 625 a 630 milhões de toneladas, crescimento de 3 a 4% na moagem atual. O cenário de alta do petróleo e os possíveis repasses, se acontecer, poderão tornar o etanol hidratado mais competitivo nas bombas frente ao combustível fóssil. Uma eventual recuperação das cotações do petróleo, tradicional fator de suporte ao etanol, aliada a um mix de produção mais alcooleiro, poderia melhorar a paridade energética do etanol em relação à gasolina. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado para o estado de São Paulo está cotado a R$ 2,8875 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), recuo de 2,11% nos últimos sete dias. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ está cotado a R$ 3,3095 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), retração de 0,48%.

Os movimentos de negócios ainda são tímidos, com o comprador cauteloso nas aquisições, devido à chegada da nova safra. A expectativa é de preços mais baixos com o aumento da oferta. Em algumas regiões do estado de São Paulo, já são observadas entradas de etanol da temporada 2026/27. Neste momento, o mercado ainda depende fortemente da oferta de etanol de milho, vindo da Região Centro-Oeste, até que a produção em São Paulo evolua com o andamento das semanas. Algumas ocorrências de chuvas foram registradas nos últimos dias, mas com pouco reflexo na produção das unidades que já iniciaram a moagem. Nos últimos sete dias, com relação aos preços entre os produtos do setor sucroenergético, o açúcar cristal está 1,08% superior ao etanol hidratado, e o do anidro está 1,35% acima do verificado para o açúcar. Entre os dois etanóis, o preço do anidro é 9,8% superior ao do hidratado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.