02/Apr/2026
Segundo a StoneX, a elevação dos preços internacionais do petróleo tem pressionado os combustíveis no Brasil, resultando em aumento dos custos de produção de açúcar e etanol na região Centro-Sul. O movimento também tem sido acompanhado por altas nos preços de fertilizantes, gás natural e fretes marítimos, ampliando a pressão sobre o custo agroindustrial. Desde 28 de fevereiro, o petróleo Brent acumula valorização superior a 40%. No mesmo intervalo, estimativas de Preço de Paridade de Importação indicam aumento de 48% na gasolina e de 91% no diesel. No mercado interno, o diesel B registra elevação superior a R$ 1,00 por litro, com avanço médio de R$ 1,26 por litro, equivalente a 20,6%, até 21 de março, enquanto em São Paulo a alta foi de 12%. O diesel apresenta correlação de 97,46% com o custo agroindustrial total do setor ao longo das últimas 19 safras.
Nesse contexto, cada aumento de R$ 1,00 por litro pode elevar os custos entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana-de-açúcar. Mesmo com a isenção de tributos federais sobre o diesel B, o reajuste de R$ 0,30 por litro aplicado no período limitou o alívio nos preços domésticos. Para a safra 2026/27, a tendência é de impacto mais imediato do diesel sobre os custos de produção. As estimativas indicam custo do açúcar VHP no Centro-Sul em R$ 1.730,00 por tonelada na base usina e R$ 1.875,00 por tonelada no padrão FOB. Considerando câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30 por dólar, o ponto de equilíbrio do açúcar, com base no contrato mais líquido na Bolsa de Nova York com vencimento em maio, varia entre 15,40 e 17,01 centavos de dólar por libra-peso.
Com cotações pouco acima de 15,50 centavos de dólar por libra-peso ao final de março, as usinas operam próximas ao equilíbrio. Apesar da pressão de custos, fatores como ganhos de produtividade, menor nível de investimento no canavial e expectativa de queda no preço do ATR, abaixo de R$ 1,00 por quilo, devem contribuir para redução do custo total em cerca de R$ 45,00 por tonelada em relação à safra anterior. A redução de 10,5% no custo da cana-de-açúcar de terceiros pode gerar economia adicional de R$ 35,00 por tonelada. Diante desse cenário, a tendência é de maior direcionamento da cana para a produção de etanol. A valorização do petróleo favorece a competitividade do biocombustível, enquanto o aumento do diesel eleva os custos e reduz as margens do açúcar, incentivando ajustes estratégicos na destinação da matéria-prima ao longo da safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.