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02/Apr/2026

Cana: safra 2026/27 mais alcooleira no Centro-Sul

A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil deve registrar recuperação na moagem, acompanhada de mudança relevante no direcionamento da produção, com maior participação do etanol no mix. Após duas temporadas impactadas por limitações climáticas, a expectativa é de avanço na oferta de matéria-prima, sustentada por melhora nas condições dos canaviais e ambiente de preços mais favorável ao biocombustível. As estimativas de mercado indicam moagem entre 625 milhões e 635 milhões de toneladas, superando o volume de 604 milhões de toneladas observado até o fim da primeira quinzena de março da safra 2025/26. O crescimento reflete, principalmente, a recuperação da produtividade agrícola, favorecida por melhores condições climáticas ao longo da entressafra, ainda que com irregularidade nas chuvas no início de 2026. A produtividade deve apresentar avanço moderado, com projeções entre aproximadamente 76 e 78,1 toneladas por hectare, indicando recuperação frente à safra anterior, embora ainda sob influência de fatores climáticos.

As precipitações no início do ano beneficiaram principalmente lavouras de primeiro e segundo cortes, contribuindo para maior resiliência produtiva. Apesar do cenário de melhora, o clima permanece como principal variável de risco. Eventos climáticos adversos podem afetar o desempenho não apenas no Brasil, mas também em outros grandes produtores globais. Além disso, a renovação dos canaviais segue abaixo do ideal, limitada por níveis de preços que ainda não estimulam investimentos mais robustos no setor. A principal mudança esperada para a safra está no mix de produção. A tendência é de início mais direcionado ao etanol, em função da menor atratividade do açúcar e da valorização relativa do biocombustível. As projeções indicam participação do açúcar entre 47% e 48,5%, abaixo de ciclos anteriores, reforçando o viés alcooleiro. Esse movimento é sustentado pelo cenário internacional de energia, com petróleo em patamares elevados, além de preços do açúcar em níveis mais baixos recentemente.

O etanol tende a apresentar melhor remuneração no curto prazo, especialmente até maio ou junho, favorecendo sua priorização pelas usinas no início da safra. Fatores logísticos também contribuem para essa estratégia. O aumento dos custos de frete e incertezas nas exportações reduzem o incentivo ao direcionamento de açúcar para o mercado externo, ampliando a competitividade do etanol no mercado doméstico. Ao longo da safra, especialmente a partir de junho e julho, pode haver recomposição parcial do mix açucareiro, conforme a evolução dos preços relativos entre os produtos. Ainda assim, o viés alcooleiro deve predominar no início do ciclo. A produção de etanol tende a apresentar crescimento relevante. A estimativa aponta avanço de 13,4% na produção a partir da cana-de-açúcar, alcançando 38,4 bilhões de litros, além da expansão do etanol de milho, que pode atingir 11,8 bilhões de litros na safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.