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02/Apr/2026

Açúcar: guerra no Oriente Médio sustenta cotações

O avanço do conflito no Oriente Médio tende a intensificar o direcionamento da safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul para a produção de etanol, consolidando um viés mais alcooleiro ao longo do ciclo. A elevação dos preços do petróleo amplia a competitividade do biocombustível, elevando a margem das usinas e incentivando a priorização do etanol no início da safra. Esse movimento reduz a disponibilidade de açúcar no mercado internacional, contribuindo para um cenário mais ajustado de oferta. A menor destinação de cana-de-açúcar para o açúcar, especialmente na principal região exportadora global, tende a sustentar as cotações. As projeções indicam déficit global de 2,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, em meio às incertezas produtivas em importantes países exportadores. Diante desse contexto, os preços do açúcar passam a depender de uma recomposição para competir com o etanol.

As estimativas de mercado apontam necessidade de valorização para níveis entre 15,50 e 18,50 centavos por libra-peso, com possibilidade de patamares superiores a 20,00 centavos de dólar por libra-peso em cenário de adversidade climática. No ambiente atual, o etanol apresenta maior atratividade econômica, o que reforça a migração do mix produtivo. Esse diferencial de remuneração tende a pressionar o mercado de açúcar, exigindo ajuste de preços para reequilibrar a alocação da matéria-prima entre os dois produtos. Os efeitos do conflito também alcançam a logística internacional. Embora o impacto direto sobre as exportações brasileiras seja limitado, há riscos pontuais associados ao fluxo comercial. O Oriente Médio representou cerca de 17% dos embarques brasileiros de açúcar em 2025, o que mantém a região como relevante para o escoamento.

No mercado doméstico, a combinação de petróleo elevado e maior produção de etanol tende a gerar dinâmicas distintas ao longo da safra. Os estoques de passagem, estimados em 1,79 bilhão de litros, encontram-se no menor nível em seis anos, fator que sustentou os preços durante a entressafra. Com a entrada de uma safra mais alcooleira e aumento da oferta, a tendência inicial é de recuo nos preços do etanol no primeiro semestre, com estabilização a partir de meados do ano. Ainda assim, o biocombustível deve permanecer competitivo, sustentado pelo encarecimento da gasolina e pela possível ampliação da mistura obrigatória. O comportamento dos preços ao longo da safra seguirá condicionado à evolução do cenário geopolítico e à dinâmica do mercado de energia, fatores determinantes para o equilíbrio entre oferta e demanda de açúcar e etanol. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.