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02/Apr/2026

Açúcar: safra do Centro-Sul e petróleo definirão preços

Segundo o Bradesco, o mercado global de açúcar deve seguir pressionado nos próximos meses, com a safra do Centro-Sul do Brasil atuando como principal vetor de formação de preços, em um ambiente caracterizado por aumento da oferta e crescimento mais moderado da demanda. As projeções indicam retorno ao superávit global na safra 2025/26, estimado em 1,4 milhão de toneladas, resultado de expansão de 4% na produção mundial, frente a um avanço de apenas 1% no consumo. Nesse contexto, a relação estoque/uso deve alcançar 41,7%, reforçando o cenário de abundância e viés baixista para os preços.

A elevação da oferta é sustentada pela recuperação produtiva de grandes players. No Brasil, a safra robusta de cana e a melhora na qualidade da matéria-prima devem manter a produção próxima de 40 milhões de toneladas, mesmo com menor participação do açúcar no mix. No mercado internacional, a Índia deve atingir cerca de 31 milhões de toneladas, com crescimento anual de 19%, enquanto a Tailândia pode se aproximar de 12 milhões, alta de 8%, além de expansão em outros produtores relevantes. Esse ambiente já se refletiu nas cotações, que recuaram 22% em 2025, permanecendo recentemente na faixa de 14,00 a 15,00 centavos de dólar por libra-peso.

Para 2026, a expectativa é de comportamento lateralizado, com leve viés de baixa, especialmente durante o pico da safra brasileira. Apesar da pressão estrutural, fatores externos têm introduzido volatilidade ao mercado. A elevação dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, aumenta a competitividade do etanol e tende a redirecionar parte da cana-de-açúcar para o biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no curto prazo e oferecendo suporte às cotações. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico pode afetar o fluxo comercial.

O Oriente Médio representa parcela relevante das exportações brasileiras, o que amplia riscos de disrupções logísticas e potenciais impactos sobre os embarques. No horizonte mais longo, o clima volta ao radar como variável-chave. A possibilidade de formação de um evento climático no segundo semestre pode afetar a produção em regiões importantes, tanto no Sudeste Asiático quanto no Centro-Sul do Brasil, adicionando suporte aos preços. O mercado deve permanecer sensível à combinação entre oferta global elevada, dinâmica energética e fatores climáticos, que juntos definirão a trajetória das cotações ao longo do ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.