02/Apr/2026
Segundo o Bradesco, o mercado de etanol na safra 2026/27 deve ser sustentado pelo impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços da energia, com a valorização da gasolina ampliando a competitividade do biocombustível e fortalecendo a demanda no início do ciclo. A relação de preços entre etanol e gasolina tende a favorecer o consumo do hidratado, com projeção de paridade ao redor de 65% em São Paulo a partir de junho. Nesse cenário, a participação do etanol hidratado no consumo do Centro-Sul deve avançar de 22% para mais de 24%, podendo se aproximar de 25% ao longo da safra.
O consumo total de combustíveis do Ciclo Otto também deve crescer, com estimativa de alta de 3,7%, alcançando 61,7 bilhões de litros. O avanço é sustentado tanto pelo aumento do consumo de etanol hidratado quanto pelo anidro, beneficiado pela elevação da mistura obrigatória na gasolina de 27% para 30%. Do lado da oferta, a produção de etanol no Centro-Sul deve registrar crescimento expressivo, acompanhando a demanda mais aquecida e o menor atrativo do açúcar.
A projeção aponta volume de 38,2 bilhões de litros, alta de 13,2% na comparação anual. Parte relevante dessa expansão deve vir do etanol de milho, cuja produção está estimada em 11,0 bilhões de litros, consolidando o aumento da participação dessa matéria-prima na matriz de biocombustíveis. A menor rentabilidade do açúcar tende a reforçar o direcionamento da cana para o etanol, especialmente no início da safra, intensificando o viés mais alcooleiro do ciclo.
Nesse contexto, os preços do etanol devem permanecer firmes ao longo de 2026, com tendência de alta mais acentuada no primeiro semestre e sustentação durante o pico da safra. O ambiente de petróleo elevado, aliado à paridade favorável e à maior mistura obrigatória, contribui para preservar a competitividade do biocombustível frente à gasolina e melhorar as margens das usinas. O cenário reforça o protagonismo do etanol na formação de receita do setor sucroenergético, reduzindo a dependência do açúcar em um ambiente de preços internacionais mais pressionados para o açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.