02/Apr/2026
Representantes dos bancos, dos detentores de títulos emitidos no exterior (bonds) e da Raízen devem se reunir na próxima semana em Nova York para iniciar as negociações em torno de um plano de recuperação extrajudicial da companhia. Na terça-feira (31/03), todos esses credores receberam uma proposta inicial de onde partirão as negociações. Segundo fontes, o plano mantém o aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, por meio de seu family office Aguassanta, e prevê a conversão de 45% das dívidas em ações. Os 55% restantes das obrigações teriam prazo alongado, sendo pagas em oito anos, com cinco de carência. De acordo com fontes, com o aporte, Shell e Ometto receberão ações ON da Raízen em uma proporção maior do que os credores na conversão dos 45% da dívida, que será em units (recibo formado por ações ON e PN).
A interpretação dos bancos é a de que isso dará maior poder aos atuais acionistas do que aos credores, que terão de certa forma colocado cerca de R$ 30 bilhões na Raízen por meio da conversão da dívida. Além disso, os acionistas poderão indicar quatro membros ao conselho de administração, enquanto os credores, três. "É injusto, uma vez que os credores estão colocando sete vezes mais recursos do que os acionistas na empresa", disse uma fonte entre os bancos. "Ninguém está feliz com essa proposta inicial." Os bancos também não se conformam com a ausência da Cosan na injeção de capital em Raízen e cobram da Shell que também aumente participação no aporte, dizem as fontes. "Essa é a primeira proposta, nossa cobrança é trazer isso para mais perto do razoável. E o mais razoável é Cosan e Shell colocarem mais dinheiro", disse uma pessoa próxima às negociações. A raiz de algumas das discussões acaloradas que acontecem nos bastidores, entre presidentes dos bancos, Cosan e Shell, é a aprovação de crédito por algumas instituições para a Raízen em cima de um "acordo verbal de apoio" da Shell.
Procurada, a Shell e os credores não se pronunciaram. Os bancos já vinham insistindo nas conversas preliminares feitas com a companhia e seus acionistas em uma capitalização maior, que estaria entre R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões, na apuração mais recente. Inicialmente, chegaram a exigir R$ 25 bilhões. A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial citando dívidas de R$ 65 bilhões. A empresa tem US$ 5 bilhões em dívidas com detentores de bonds no exterior, outros US$ 5 bilhões com bancos e US$ 3 bilhões com títulos no mercado local. A Raízen é representada pelo escritório E. Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, XGIVS Advogados, TWK Advogados e Cleary Gotlieb, com assessoria financeira de Rotschild e Alvares e Marsal. Os bondholders têm a Moelis & Co como assessora financeira e White & Case e Mattar como conselheiros legais. Os bancos são assessorados por FTI do lado financeiro e têm Machado Meyer e Mayer Brown como conselheiros legais. Fonte: Broadcast Agro.