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27/Mar/2026

Açúcar: futuros avançam acompanhando petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara registraram forte valorização na bolsa de Nova York, atingindo o maior nível em cerca de cinco meses e meio, impulsionados principalmente pelo avanço expressivo do petróleo e pelo aumento dos riscos no cenário internacional. O contrato com vencimento em maio encerrou com alta de 2,06%, cotado a 15,87 centavos de dólar por libra-peso. O movimento acompanhou a valorização do setor energético, com o petróleo avançando 5,06%, para US$ 94,89 por barril, reforçando a correlação entre as duas commodities. O encarecimento da energia tende a elevar a competitividade do etanol, especialmente no Brasil, maior produtor global de cana-de-açúcar.

Nesse contexto, aumenta a probabilidade de direcionamento maior da matéria-prima para a produção de biocombustível na safra 2026/27, o que reduz a oferta global de açúcar e sustenta os preços no mercado internacional. Além do fator energético, o mercado incorpora um prêmio de risco logístico associado às tensões no Oriente Médio. A interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz impacta o comércio global e eleva custos de frete e seguros, contribuindo para um ambiente de maior suporte às cotações. No curto prazo, a oferta também permanece ajustada, com queda na produção do Centro-Sul do Brasil durante a entressafra, reduzindo a disponibilidade imediata. Por outro lado, fatores macroeconômicos e fundamentos de longo prazo limitam avanços mais expressivos.

A valorização do dólar frente a outras moedas encarece a commodity para importadores, reduzindo o apetite comprador. Adicionalmente, o balanço global segue indicando excedente. A produção da Índia apresenta crescimento relevante no atual ciclo, enquanto projeções de consultorias e organismos internacionais apontam superávit global entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, além de uma produção recorde estimada para 2025/26. Dessa forma, o mercado de açúcar mantém viés de alta no curto prazo sustentado por energia e riscos logísticos, mas com limitações estruturais impostas pelo cenário global de oferta mais confortável.