26/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta quarta-feira (25/03) em queda na Bolsa de Nova York, pressionados principalmente pelo recuo nos preços do petróleo e pelo aumento da oferta global. O contrato com vencimento em maio caiu 33 pontos, ou 2,08%, e fechou a 15,55 centavos de dólar por libra-peso. O movimento refletiu a devolução dos ganhos da sessão anterior, com destaque para a influência do mercado de energia.
A queda de aproximadamente 2% no petróleo estimulou a liquidação de posições compradas, reduzindo o suporte às cotações. Esse cenário tende a impactar o etanol, tornando-o menos competitivo e incentivando maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de açúcar no Brasil, o que amplia a oferta global. Além disso, o avanço da produção na Índia contribuiu para a pressão sobre os preços. A produção do país cresceu 10,5% até meados de março, atingindo 26,2 milhões de toneladas, com retorno das usinas ao mercado exportador, aumentando a disponibilidade internacional da commodity. Fatores de sustentação limitaram perdas mais acentuadas.
As incertezas logísticas e a restrição na oferta imediata continuam presentes, com impactos sobre fluxos comerciais e custos de frete. No Brasil, a menor produção no Centro-Sul durante a entressafra mantém a disponibilidade ajustada no curto prazo. No horizonte mais longo, o mercado segue pautado por expectativa de excedente global. Projeções indicam superávit entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, enquanto para 2025/26 a estimativa é de excedente de 1,22 milhão de toneladas, com produção global recorde próxima de 189,3 milhões de toneladas. O cenário combina pressão de curto prazo vinda do mercado de energia e da oferta internacional com fundamentos de longo prazo que seguem indicando ampliação da disponibilidade global de açúcar.