25/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (24/03) em alta na Bolsa de Nova York, recuperando as perdas do dia anterior e atingindo o maior nível em cinco meses. O vencimento maio avançou 2,32% (+36 pontos), e fechou a 15,88 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi impulsionado principalmente pela valorização do petróleo, que registrou alta de cerca de 4% na sessão. O encarecimento da energia tende a elevar a competitividade do etanol, incentivando as usinas no Brasil a direcionarem maior volume de cana para a produção de biocombustível, em detrimento do açúcar, o que reduz a oferta global do açúcar. O ambiente geopolítico também segue como fator de sustentação para os preços.
O fechamento do Estreito de Ormuz mantém elevados os custos logísticos e os prêmios de risco, afetando fluxos comerciais e contribuindo para a restrição da oferta internacional. Estimativas indicam impacto sobre aproximadamente 6% do comércio global de açúcar, com reflexos sobre fretes, seguros e disponibilidade de produto refinado. No mercado doméstico, a menor produção no Centro-Sul durante a entressafra reforça o quadro de oferta ajustada no curto prazo, sustentando as cotações. Apesar do suporte recente, o cenário estrutural ainda aponta para superávit global. Projeções indicam excedente entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, enquanto a produção da Índia apresenta crescimento relevante no ciclo atual. Para 2025/26, a expectativa também é de saldo positivo na oferta mundial. A combinação de fatores de curto prazo, ligados à energia e à logística, com fundamentos de oferta mais amplos tende a manter a volatilidade dos preços no mercado internacional.